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Resenha: Destiny (1998)

Álbum de Stratovarius

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Bastante vigor, elementos sinfônicos, refrãos e melodias viciantes

Autor: Tiago Meneses

25/03/2019

Depois de quase 300 resenhas aqui no site, é bastante nítido uma coisa, o que mais escuto é o rock progressivo e suas várias direções, porém, nunca deixei de escrever sobre discos de outros gêneros como hard rock, blues, heavy metal, death metal, thrash metal, mpb, enfim, mas ainda não havia mergulhado em algum álbum de uma banda de power metal, mas isso tem uma explicação, ao contrário dos exemplos de gênero citados que estão sempre uma hora ou outra tocando na minha playlist, o power metal sempre andou senão completamente, ao menos muito pouco lembrado, e devo confessar que continuaria assim se não fosse uma conversa com uma amiga na semana passada e que culminou em um regresso meu a uma banda da qual eu não ouvia absolutamente nada a cerca de quinze anos, o Stratovarius.  

É de senso comum que a banda finlandesa é uma das mais representativas e prolíficas do estilo, tendo lançado de 1989 até o momento, 16 álbuns, sendo o mais recente, Eternal, de 2015. Mas o que será o foco aqui é o seu 7º, Destiny, disco que é uma mistura impressionante de um metal executado com bastante vigor, elementos sinfônicos, refrãos e melodias viciantes. 

O álbum começa através da faixa título e que também é a mais longa. A estrutura geral dessa música pode ser dividida em três partes, a primeira que engloba a introdução que desenvolve a melodia principal por alguns minutos, a segunda seção que possui uma estrutura de música mais tradicional e que tem como destaque um refrão extremamente pomposo, e a parte que conclui a música e possui uma seção de coral bastante bonita onde Timo Kotipelto lidera um coral de sonoridade celestial. Um começo de disco belíssimo. 

“S.O.S (Save our Souls)” quando começa com seus teclados eu já imaginei uma música típica do power metal, ou seja, veloz, direta e reta sem dizer muito, mas acabei me surpreendendo com um ótimo trabalho de algumas vibrações folclóricas e interlúdios de teclado muito interessantes.

“No Turning Back” é uma daquelas músicas tocadas em alta velocidade. Aqui Tolkki oferece ao ouvinte um riff empolgante e muito bem executado. Destaque também para a bateria de Jorg que está poderosa e contribui muito para a grandeza da música. 

“4000 Rainy Nights” é uma balada em que Tollki mostra que é um guitarrista que sabe passear muito bem entre tempestades e bonanças sonoras sem se perder. Os vocais de Kotipelto novamente roubam a cena em determinados pontos. Apesar de um destaque isolado aqui e outro ali a música é muito bem arranjada como um todo. 

“Rebel” é uma música que eu não posso negar que é bem executada, porém, é aquele padrão de power metal melódico e comum que não consegue me transmitir nada. Todos os músicos em um desempenho sólido, mas sem vida. 

“Years Go By” é mais uma balada, mas neste caso a atmosfera é completamente diferente, sendo dominada mais por uma linha assombrosa de piano. O vocal de Kotipelto é muito bom principalmente nos lamentos dramáticos durante o refrão. Destaque também para o belo solo melódico de guitarra. 

“Playing With Fire” tem uma roupagem glam dos anos 80 só que com guitarras mais pesadas e vocais que não soam irritantes. Admito que a primeira impressão não foi nada boa, mas dando mais uma ou duas chances ela consegue cativar. A faixa mais diferente do álbum. 

“Venus In The Morning” é mais uma balada e agora soando meio progressiva, com destaque nas várias maneiras em que Johannsen e Tolkki manipulam seus instrumentos. A atmosfera dessa música é ótima. Destaque também para mais um desempenho vocal de Kotipelto que sempre parece fazer com que o difícil pareça fácil.

"Anthem of the World" é outra faixa longa no disco para “rivalizar” com a título, embora aqui existam menos mudanças. O desempenho instrumental é sensacional, as vozes femininas do coral estão de volta para o final da música, Kotipelto as lidera com seu amplo alcance. Vale ressaltar mais um ótimo solo de guitarra de Tolkki, mas destaco também os trabalhos orquestrais de Johannsen no teclado. 

“Cold Winter Nights “ é uma faixa bônus, mas que se encontra na maioria das tiragens do CD, creio que só a primeira na Finlândia ela não apareça. Sinceramente, sem ela o álbum ganharia mais, tendo o seu fim através de um épico e não de um power metal típico. Não que seja uma música ruim, mas não acho que acrescentou algo. 

Qual a conclusão tirar disso? Bom, não estou falando de uma banda/gênero que acompanho, mas acho que nem precisaria pra dizer o óbvio, ou seja, que toda boa coleção de power metal que se preze deveria ter uma cópia de Destiny. 

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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