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Resenha: Song For America (1975)

Álbum de Kansas

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Um trabalho incrível de uma banda subestimada

Autor: Tiago Meneses

21/03/2019

Song for America é um álbum que deveria ser ouvido por todos aqueles que dizem que o Kansas é somente um grupo do tipo rock de arena e de músicas radiofônicas, todas essas pessoas certamente mudariam de ideia se realmente ouvissem a música aqui com a mente aberta, porque a banda nos oferece uma ótima combinação de estilos, sons, humores e atmosferas, misturando-se com grande habilidade o hard rock, blues rock, musica country americana e claro, o rock progressivo sinfônico. 

O disco começa através de "Down the Road", uma típica faixa de blues rock. Ao contrário da maioria das faixas do Kansas aqui o violino é usado como um instrumento de rock, e não como um elemento sinfônico, Steinhardt ousa  com seus vocais ser agressivo de uma maneira diferente, pegando elementos de blues, southern rock e country. Uma verdadeira joia da banda e que deveria ser melhor bem aproveitada em seus concertos. 

"Song for America" é certamente uma das melhores e mais bem estruturadas músicas da banda. Tem uma introdução clara, uma primeira transição instrumental e o corpo da música que passa por mudanças radicais e passagens dramáticas. Agora estamos diante de uma faixa puramente progressiva e uma peça musical que flui perfeitamente. Se adicionarmos os excelentes vocais de Steve Walsh em seu auge, a excelente interação vocal com Steinhardt e a bateria sólida de Phil Ehary, tudo ajuda a desenhar uma obra extremamente complexa. Resumindo, uma faixa maravilhosa e que soa melhor ainda quando tocada três anos depois no disco ao vivo Two for the Show. 

“Lamplight Symphony” é tudo o que podemos esperar de uma banda de rock progressivo, uma introdução pomposa, excelentes vocais, teclados dramáticos e interessantes pausas instrumentais, onde o violino adiciona aquele som nostálgico tão característico no Kansas. O que dizer? Perfeita do começo ao fim. 

“Lonely Street” tem uma introdução suave e blueseira com a voz de Steve e Dave Hope com o baixo, até que sem deixar o território do blues eles adicionam elementos diferentes que tornam o som muito mais elaborado, com um Rich Williams provando que ele não é apenas um cara que toca guitarra, mas um músico bastante hábil. Menção especial para Steve Walsh que faz um excelente desempenho vocal.

“The Devil Game” traz a banda novamente para o território progressivo. A música apresenta elementos dissonantes que colidem um com o outro em uma maravilhosa cacofonia que faz sentido, deixando as coisas mais perto de um hard progressivo do que algo na linha sinfônica e que é o mais esperado em se tratando de Kansas. Outra música excelente e de certa forma até surpreendente, com Rich Williams fazendo um trabalho fantástico de guitarra.

“Incomudro - Hymn To The Atman” é a faixa escolhida para fechar o disco, uma ótima escolha por sinal. Após uma pomposa introdução e um violino nostálgico, Steve Walsh entra na música transmitindo todos os sentimentos possíveis para o ouvinte, assim como todo bom vocalista deve fazer. Mas de repente a música começa a crescer em intensidade e o primeiro clímax chega com o órgão fazendo gritos desesperados e o violino soando como que um alívio, então que as coisas se movem para um piano e passagem de teclados de beleza incomum, o órgão com um psique tardio sentindo-se apoiado por Robby e seu violino que cria uma triste seção deprimente e misteriosa que só é quebrada por uma seção quase barroca, seria difícil descrever o resto da faixa porque as mudanças são extremamente complexas e radicais e nem sempre eu consigo descrever as coisas como gostaria, mas ainda deixo uma menção honrosa ao belo solo de bateria. De final deixo apenas o aviso de que isso é mel para os lábios de qualquer amante de rock progressivo. 

No geral um trabalho incrível de uma banda subestimada que é muito mais do que muitos pensam. Não consigo imaginar um fã de rock progressivo desdenhando de um disco deste, não faz o menor sentido. Do começo ao fim uma verdadeira pérola. 

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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