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Resenha: Leviathan (2004)

Álbum de Mastodon

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Som acessível, mas ao mesmo tempo complexo e bem desenvolvido

Autor: Tiago Meneses

16/03/2019

O segundo disco da banda é uma obra vagamente baseada no livro Moby Dick do escritor americano Herman Melville de 1851. A sonoridade encontrada no disco é acessível, mas ao mesmo tempo complexa e bem desenvolvida. Grandes influências de thrash metal em vocais e riffs brutais.

Sua música consiste em composições extremamente difíceis que são cheias de riffs rápidos de guitarra, técnicos, agressivos e excelentes performances de bateria, bem como de ideias psicodélicas estranhamente organizadas. Os vocais apresentam dois lados. O primeiro consiste em vocais agressivos, quase brutais (Brent's Hinds). O segundo, de vocais limpos que são belamente colocados em alguns caminhos melódicos incríveis (Sanders Troy). Como foi descrito, os riffs de guitarra são muito agressivos e técnicos, psicodélicos e de tirar o fôlego. Isso faz com que o grupo obtenha um estilo único. 

“Blood and Thunder” começa o álbum já de maneira estrondosa. A estrutura da música está para algo mais simples do que progressiva, no entanto, a qualidade da musicalidade dessa faixa é sensacional, com destaque para o trabalho realizado pelo baterista Brann Dailor. 

“I Am Ahab” é mais uma faixa extremamente intensa e de grande energia. Novamente não muito progressiva (como achei que fosse), mas ainda assim é um rock pesado da melhor qualidade. A bateria novamente mostra que Brann Dailor é um dos grandes nomes do instrumento no metal. Apresenta riffs interessantes de guitarra e algumas passagens de tempo que engrandecem a faixa. Uma pena ser tão curta. 

“Seabeast” possui um início limpo e sinistro, também apresenta os primeiros vocais verdadeiramente cantados no álbum, que soam um pouco unidimensionais, mas devo admitir que os vocais em uma banda como essa não são tão importantes, ou ao menos, não são o foco principal. Aqui também é a primeira faixa que possui algumas tendências progressivas, incluindo algumas mudanças de direção e riffs estranhamente cronometrados que me lembram com a banda Tool. 

“Island” é sem dúvida alguma a música mais direta e reta do álbum. Pessoalmente a considero um momento fraco, embora que mesmo assim ela possua alguns bons riffs, solo decente e novamente uma bateria que impressiona. Problema é que o corpo principal da música não consegue cativar. 

“Iron Tusk”, a rápida introdução na bateria de Brann Dailor é exatamente o que uma música como esta precisava. Uma música extremamente brutal onde a banda ainda consegue incluir alguns bons conteúdos líricos. Sem dúvida mais um dos destaques do disco. 

“Megalodon”, se até aqui tivemos um metal mais cru e outros momentos com tendências progressivas, essa faixa certamente é a primeira que podemos dizer que é metal progressivo. Começando com uma guitarra estranha e limpa, a música entra em uma seção mais pesada e mais rápida com gritos frenéticos. Todos os membros têm as suas habilidades evidenciadas, porém, sem que isso se torne algo autoindulgente. Há em determinado momento uma guitarra que me faz lembrar (um pouco de longe) a da introdução de “Seek And Destroy” do Metallica. 

“Naked Burn” é mais uma faixa de vocais menos agressivos e fáceis de acompanhar. Apresenta muito dos ótimos detalhes técnicos que impressionaram até aqui como a bateria e linhas de guitarra bastante interessantes que esperamos vindo de uma banda como a Mastodon. A banda tem uma capacidade incrível de fazer com que seções estranhas soem normais e não fora do lugar e vice versa, algo raro de ver em alguma banda. Possui um refrão que também é excelente. 

“Aqua Dementia” é mais um momento menos inspirado. Começa de maneira forte, com algumas guitarras rápidas, mas infelizmente logo acaba caindo em uma música do tipo estereotipada moderna. Scott Kelley, da banda Neurosis faz os vocais em uma seção de oscilação incomum com alguns acordes jazzísticos, mas confesso que não acho que funcionou bem. Longe de ser uma faixa ruim, mas não parece que se entregou muito bem a sua proposta. 

“Hearts Alive”, se embora até esse momento o álbum tenha sido muito bom, mas que tenha faltado alguns aspectos, eles são mais do que compensados nessa música. Este épico de treze minutos e meio pode facilmente entrar para o rol das melhores músicas de metal progressivo compostas, o trabalho de guitarra cadenciado lentamente apoiado por uma bateria poderosa é bastante cativante e realmente cria um excelente clima. Então tudo muda e o heavy metal toma de conta e define a música. Certamente esta é uma das músicas mais incríveis entre uma parceria de guitarra e bateria que conheço. Tudo funciona perfeitamente. Bateria, baixo, vocal, guitarra base e solo. Uma música verdadeiramente épica da carreira do Mastodon. 

“Joseph Merrick” termina o disco de uma maneira instrumental completamente diferente de toda a agressividade que foi mostrada no álbum. Uma música acústica e bastante calma, de clima misterioso e difícil de descrever tamanho o contraste com as faixas restantes.

Leviathan é um álbum muito bom e Mastodon é um dos mais surpreendentes grupos de metal surgido no século XXI. Conseguiram um som muito original, misturando muitos gêneros e influências e as utilizando de maneira brilhante. Em discos futuros considero que a banda atingiria voos mais altos, porém, aqui foram onde de fato começaram a decolar, fazendo com que chegassem cada vez com mais força no status de uma das mais influentes dos anos 2000’s. 

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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