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Resenha: No Prayer For The Dying (1990)

Álbum de Iron Maiden

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Fraco e sem as conhecidas variações suficientes para prender o ouvinte

Autor: Tiago Meneses

15/03/2019

Então que após tantos sucessos e discos excepcionais, esse momento uma hora ia chegar, foi então que em No Prayer For The Dying a banda falhou miseravelmente. Exagero da minha parte? Sabendo como são os fãs da banda certamente vão dizer que sim e irão apontar inúmeros pontos que tornam esse inclusive um grande disco. Ok, eu vou respeitar isso, mas não tem como defender esse registro como um todo, no máximo uma parte aqui e outra ali. 

Este foi o primeiro álbum que não conta com Adrian Smith nas guitarras desde quando ele se juntou a banda em 1981 pro o lançamento de Killers, para o seu lugar foi recrutado Janick Gers. Embora haja uma coincidência no declínio da qualidade da música do Maiden com a saída de Smith (ou chegada de Gers), é injusto criticar o novo membro e culpá-lo pelos fracos resultados musicais. É necessário ressaltar que nenhuma das faixas desse disco foi escrita por Gers (ele começaria a colaborar mais no próximo álbum, o também fraco Fear of the Dark). Convenhamos também em outro detalhe, Smith nunca foi o principal compositor da banda, afinal, não é segredo pra ninguém que esse cargo sempre foi de Steve Harris. Por tanto, se formos culpar alguém pela falta de brilho, pra quem devemos apontar nosso dedo? Sim, pra ele mesmo, Steve Harris. 

Pra mim a principal falha desse disco é que o Maiden parecia querer retornar um estilo musical mais direto e reto, mais rápido e pesado como fizeram no passado (mais precisamente nos seus dois primeiros discos), mas passaram longe de conseguir algo ao menos parecido. Todas as faixas aqui possuem um tempo de duração médio, o que não chega a ser um problema, afinal, a banda tem verdadeiras jóias dessa duração, problema é que aqui nesse álbum as músicas não tem variação suficiente pra prender o ouvinte, solos memoráveis ou grande melodias, assim como grandeza o suficiente que outras faixas de cinco minutos do passado ainda recente tinham. 

Pra evidenciar ainda mais a impressão fraca que esse álbum me deixa, devo dizer que não existe uma música memorável, mesmo os singles são bastante mundanos e brandos. Não existe aqui um refrão que me faça querer cantar junto, nem um solo que me faça acionar a minha air guitar e tocar com meus dedos. Não consigo exatamente entender o que se passava na cabeça da banda enquanto gravaram esse disco. 

“Tailgunner” embora não seja nada brilhante, ao menos mantém a tradição da banda em começar seus discos com pelo menos uma boa faixa. O riff principal é bom, assim como o refrão (mas como dito, nada memorável). Se todas as faixas tivessem ao menos nesse nível, não teríamos um grande álbum, mas seria mais decente. 

“Holy Smoke” é uma das faixas mais populares do álbum. Começa muito bem, com uma melodia decente, mas depois acaba se transformando em um hard rock bastante monótono com um refrão dificilmente discernível a partir do verso principal. 

“No Prayer For The Dying” já começa de maneira auspiciosa e animadora com um diálogo entre as guitarras e o baixo, uma boa melodia e um bom vocal de Dickinson. Nós até temos uma daquelas lendárias melodias de guitarra dupla após o verso e uma performance muito boa de Harris, cujo baixo tem um lugar predominante na mixagem. A seção rápida se desdobra mais tarde com as características usuais da banda: bons solos, bateria rápida e atmosfera interessante. A música é muito boa, a melhor do álbum pra ser mais exato.  Mas ainda a vejo como se o Maiden quisesse escrever um de seus curtos épicos, mas depois decidiu terminar rapidamente. É como uma versão condensada de outras faixas neste estilo. De qualquer forma, o destaque do disco. 

“Public Enema Number One” é mais uma música que começa prometendo. Um bom fiff melódico na liderança a caminha para versos diretos. Então que o coro entra e também não decepciona. O problema é que tudo é rápido demais e talvez esse seja meu maior problema com esse disco, estruturas excessivamente despojada e condensada. Até aqui as coisas estão ao menos dignas. 

 “Fates Warning” tem um começo lento com algum sintetizador de guitarra que nos faz acreditar que ainda estamos em eras anteriores. Então a música se inicia de fato com o seu riff principal bastante rápido. O refrão é muito fraco. A música inteira parece um riff contínuo e único. Possui uma seção intermediária que a salva de um descarte total, porém, não deixa de ser fraca. 

“The Assassin” eu confesso que acho uma música um pouco estranha e às vezes nem sei exatamente o que comentar sobre ela. Tem algumas coisas até boas, mas novamente traz um refrão sem força e alguns riffs soam parecidos com outros riffs da história da banda ou mesmo de outras bandas de metal. Perto do fim me parece soar até mesmo incoerente. Não possui uma boa estrutura. No fim, alguns bons retalhos, mas que juntos não dizem muita coisa. 

“Run Silent Run Deep” traz a tona o que considero novamente aquele tipo de música que não é ruim, mas ver a sua simplicidade sendo executada por uma banda como o Iron Maiden irrita, nada soa interessante exceto por um bom solo que consegue tirá-la da mediocridade. Detalhe para uma base em partes da música que faz lembrar um pouco “Perfect Stranger” do Deep Purple. 

“Hooks In You” é daquelas músicas que não têm ou merecem qualquer tipo de defesa, sendo o “mérito” em ser um momento horrível na carreira da banda é justo. Tudo soa atroz, não possui uma boa melodia, nem bons solos, refrãos, tudo soa irritante e isso inclui até mesmo a voz de Bruce Dickinson. Nada mais que uma música pobre de hard rock extremamente insossa. O Iron não merece que eles façam isso com eles mesmo. 

“Bring Your Daughter... To The Slaughter” é a faixa mais famosa do álbum, mas completo dizendo que uma das mais chatas também. Não faço ideia como que uma música dessa é escolhida pra ser um dos singles de um disco. Mas mesmo assim acertaram, pois foi bem sucedida nas paradas britânicas. Uma faixa brochante de hard rock e sem atributos que esperamos quando escutamos Iron Maiden. Uma das poucas vezes na história em que Dickinson consegue dar nos nervos. Se fosse uma faixa de uma banda pequena talvez eu a considerasse uma música ok, mas pro Iron Maiden não é nada menos que dispensável. 

“Mother Russia” tem um início que beira o espetacular e dá uma esperança que em meio a tanta coisa nada inspirada presenciaremos a criação de um clássico. O riff principal é bom e o ritmo em que se cadencia também. Porém, o que mais a música tem a oferecer? Não há um refrão e pra uma música dessa eu acho que ele faz muita falta inclusive para ajuda-la se tornar um hino em meio a tanto caos. Como aconteceu em outros momentos do disco parece que a banda apressou o final de uma música por razões desconhecidas. Uma boa música, mas poderia ser ainda bem melhor. 

No geral o disco não chega a ser um completo desastre, mas não passa de um esforço mediano pra fraco. Um daqueles discos recomendado apenas para fãs mais hardcore da banda ou amantes de heavy metal que não se importam em ouvir algo que não soa nenhum pouco original. 

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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