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Resenha: Heaven And Hell (1975)

Álbum de Vangelis

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Extremamente único, bem desenvolvido e musicalmente rico

Por: Tiago Meneses

13/03/2019

Heaven and Hell é sem dúvida alguma uma das tantas maravilhas criadas na carreira de Vangelis. É uma excelente mistura de influências religiosas e pagãs que tornam fácil para qualquer um decifrar sua nacionalidade ou mais apropriadamente sua etnia porque a pompa grega ortodoxa está presente ao longo de todo o álbum, sua técnica com todos os instrumentos é simplesmente incrível, mas obviamente seu ponto mais forte são os teclados em que ele atinge o status de virtuoso.

O álbum é dividido em duas partes e várias seções ou movimentos, divisão que no fim das contas tem pequena importância porque como em qualquer álbum conceitual a essência está em toda a história, mais o fato de que a divisão em duas partes é apenas uma consequência das limitações do formato de vinil, porque o álbum foi projetado para ser ouvido do começo ao fim.

“Heaven and Hell parte 1” começa através de “Baccanale”, que tem uma introdução calma de teclado e refrãos, mas muda de maneira instantânea para uma música de extrema complexidade, teclados e coro atacando o ouvinte como se fosse uma espécie de guerra entre o bem e o mal, quase como um brainstorming musica. Uma maneira incrível de começar um álbum. 

“Symphony to the Powers B” é o segundo movimento e seção central da primeira metade do disco. Começa com uma introdução ao piano que logo é seguida por coros com algumas letras aparentemente em latim, rítmicas e pomposas, quase como uma cerimônia religiosa. Mas então começa uma espécie de contraponto entre o coro masculino e feminino como se fosse outro confronto entre anjos e forças demoníacas, tudo apoiado por um piano magnifico e orquestral. Claramente inspirado em Carmina Burana. Por vários minutos, o piano e o coro continuam cercando o ouvinte com força incomum que vai crescendo até o final desse movimento.

“Movimento 3” tem seu início quase que sem interrupção através de uma seção melódica para piano, sintetizadores e coro. Foi tema de abertura de um programa americano de TV de 1980 chamado Cosmos e apresentado por Carl Sagan. Uma música incrivelmente linda e de difícil descrição. 

A parte 1 termina com "So Long Ago, So Clear", música que funciona como um alívio após a agressividade instrumental da primeira parte, os vocais de Jon Anderson (sim, ele mesmo está aqui) soam totalmente doce e relaxante.

A parte 2 certamente ainda consegue ser mais mística do que a anterior, começa através de “Intestinal Bat” e uma coleção de sons, campainhas e harpas que dão a música um clima bastante assustador, uma introdução misteriosa e assustadora que termina com um violino chocante e distorcido. 

“Needles and Bones” mostra uma ótima seção rítmica, mas mantendo o ar de mistério, de clara influência grega tocada com acordes, teclas e sinos e que funciona como uma preparação para a passagem mais chocante do álbum.

“12 O’Clock” começa com um coro semi gregoriano realçado por uma percussão muito baixa, alguns sons fantasmagóricos cercam o ouvinte com uma calma tensa, interrompida por explosões musicais caóticas súbitas e curtas que desaparecem tão rápido quanto aparecem permitindo que o coro místico comece de novo, mas desta vez como uma preparação para Vana Varoutis e sua voz imaculada que nos dá uma ideia de como um anjo deve soar, devo admitir que quase traz lágrimas aos meus olhos, sua voz continua aumentando enquanto os minutos passam até ela se juntar a um coro masculino que cobre sua voz e progressivamente desaparece. Arrepiante. 

Mas quando o ouvinte acha que está tudo calmo, é a vez de "Aries", uma seção explosiva com orquestra completa (tocada por Vangelis como em todo o álbum), passagem esplêndida e poderosa que se transforma em uma seção melódica suave chamada, "A Way" e que fecha o álbum de uma forma suave e agradável, em contraste com o início forte que ocorreu lá no início.

Dificilmente palavras serão suficientes para descreverem esse álbum. Difícil catalogar um disco deste em apenas um gênero, uma vertente, às vezes sinfônico, outras vezes atmosférico com um grande toque de música grega, mas independente de qualquer coisa, é fato que se trata de um tipo de música 100% progressiva. Uma experiência estranha e bela talvez nunca repetida por Vangelis, embora o músico tenha outros lindos discos na carreira. Extremamente único, bem desenvolvido e musicalmente rico. Essencial em qualquer coleção de música progressiva que se preze. 

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