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Resenha: Coming From The Sky (2000)

Álbum de Heavenly

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Genérico, mas divinamente genérico!

Por: Tarcisio Lucas

21/02/2019

“Coming from the Sky”, o álbum de estréia da banda francesa Heavenly, foi lançado no já distante ano 2000. Era uma época bem diferente da que temos hoje. Hoje, temos a internet à disposição de um grande número de pessoas, e muitos espaços abertos onde as pessoas podem compartilhar suas impressões e opiniões. Temos muito mais variedade de tudo, incluindo de crítica musical. Uma prova disso é esse próprio site no qual conversamos agora, o 80 Minutos.
 
“Ok...mas o que isso tem a ver com o disco do Heavenly?”

Eu me lembro vividamente do lançamento deste álbum. Havia no Brasil poucos lugares onde o fã da música pesada podia buscar informação sobre novas bandas e lançamentos. E me lembro que as críticas lançadas na época sobre o grupo francês quase sempre se dividiam em 2 grupos: aqueles que criticavam a falta de originalidade da banda, e um outro grupo que insistia em apontar a voz do cantor Benjamim Soto como sendo extremamente próxima à voz do cantor Michael Kiske. A critica sobre a banda favoreceu muito pouco o conjunto, e uma parte do fato do Heavenly ter passado meio apagado ao longo dos anos em nosso país se deveu, grandemente, a essa “divulgação” inicial. O que é uma pena, pois tanto esse disco quanto os outros da discografia da banda são, em linhas gerais, muito, muito bons.
Ouvindo o disco hoje, tenho a mesma impressão que tive em 2000, ao ouvir a banda pela primeira vez: constatei que a mesma não era tão genérica quanto diziam, e que a voz de Benjamim DEFINITIVAMENTE não parecia com a voz do Michael Kiske!

“Coming From the Sky” é um disco muito bom, que isso fique claro. Alguns trechos (ok; muitos trechos) lembram o Helloween da fase do “Keepers of the Seven Keys”, outras partes remetem ao Gamma Ray, Iron Savior. E em alguns lugares, há uma pitada de Angra e Rhapsody of Fire. 
A produção do disco repete todos os requisitos que se esperam de uma banda de metal melódico, a começar pela capa, que faz uma boa referência ao próprio nome do grupo.
As melodias vocais são a melhor parte do disco. Interessantes, melodicamente bem desenvolvidas, bem executadas, e talvez nisso realmente possamos comparar com o que o Kiske fez em seus tempos de power metal e metal melódico. Mas no que se refere a timbre, são vozes definitivamente diferentes uma da outra.
Ainda dentro do quesito vocal, os refrões são poderosos e marcantes em praticamente todas as músicas. 
E verdade seja dita: se o disco tivesse apenas as 3 primeiras canções (não contando a intro)Carry your Heart”, “Rinding Through Hell” e “Time Machine” (essa com a presença do próprio pai do power metal, Kai Hansen), já teríamos um excelente disco de metal. Mas todas as outras que se seguem, dentro da mesma abordagem, mantém a qualidade, ainda que já sem o impacto inicial.
Outra coisa importante é notarmos a presença dos teclados, que aqui ainda aparecem comedidamente, mas que se tornaria presença cada vez mais acentuada ao longo dos lançamentos futuros do conjunto.
E é isso! 
Gostaria de me alongar mais, mas a verdade é que todo o resto do álbum e da banda é EXATAMENTE o que você esperaria de um bom disco do estilo, sem tirar nem pôr nada. Talvez não seja o tipo de disco que se deve escutar todos os dias ininterruptamente, mas que se feito de tempos em tempos pode render diversão genuína e de muita, muita qualidade.
E é um som que envelheceu bem. E ainda bem que hoje podemos fazer contraponto com as opiniões contrárias (de forma sadia, claro), expor outros pontos de vista...a música agradece, e o Heavenly também!

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