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Resenha: Glory To The Brave (1997)

Álbum de Hammerfall

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Espadas, armaduras, couro e heavy metal!

Por: Tarcisio Lucas

19/02/2019

O ano era 1997, e naquela época o metal melódico estava com tudo, vivendo um período bastante próspero, com muitas bandas surgindo (e desaparecendo) a todo instante, dezenas de lançamentos em todo mundo, e muitos fãs ávidos para consumir tudo que aparecesse dentro do estilo.
Eis que nesse cenário aparece então “Glory to the Brave”, da banda Hammerfall, banda suéca que tinha como característica única o fato de replicar todos os clichês que o power metal/metal melódico apresentava, mas de uma forma extremamente empolgante, bem feita e repleta de energia. Com muitas influências de metal tradicional, o conjunto fez sua estréia de forma certeira nesse lançamento.
Na verdade, podemos agora dizer que foi “Glory to the Brave” um dos lançamentos que fizeram da cena do power metal o que ela se tornou no fim dos anos 90 e início dos 2000, e sem ele certamente muitas bandas não teria se enveredado por esse caminho.
Com letras versando sobre cavaleiros, dragões e cruzados em busca de glória e poder, roupas de couro e coros épicos, a banda entra de cabeça dentro da estética do gênero a que se propõe, sem qualquer pudor ou receio. Segundo a filosofia do Hammerfall, a vida é uma batalha épica, e cada dia é uma chance de buscar a glória com sua espada e sua armadura mágica +10 contra Dragões. Sim, eu sei, é algo que quase beira o cômico, mas convenhamos: muitas horas tudo que queremos é fugir um pouquinho da realidade fria das demandas diárias, e se um disco de metal pode proporcionar isso, por que criticar?
Como pede o estilo, o vocal de Joacim Cans alcança alturas estratosféricas, que sempre acabam em algum refrão grudento, com melodias que ficam facilmente em nossas mentes. As guitarras despejam solos na velocidade da luz, a bateria aposta no pedal duplo, e o baixo...bom, o baixo fica meio apagadinho no meio de tudo, mas está lá!
Apesar de tantas coisas familiares, não é assim tão fácil definir as influências que moviam o grupo então; logicamente temos muito de Helloween, Blind Guardian, um pouco de Running Wild, Iron Maiden, Saxon e...mais umas 30 bandas. Mas curiosamente a banda soube imprimir uma personalidade e uma marca que de alguma forma se destacou em meio à uma cena tão movimentada – prova que a banda continua até hoje em dia na ativa, 22 anos depois!
Do power metal alucinado de “The Dragon lies Bleeding” à balada “I Believe”, tudo aqui virou um clássico (dentro do estilo, logicamente).

A capa do disco ficou ao encargo de Andreas Marschall, o cara que fez 97% das capas de bandas de metal melódico/power metal na década de 90, e aqui temos estampado o Paladino Hector, uma espécie de mascote da banda, acompanhando-a ao longo de toda a carreira em ilustrações e em shows, como decoração. Ele está presente, por exemplo, no mais recente disco do grupo, “Built to Last” (um nome bem sugestivo, por sinal!). Aliás, Hector está em todas as capas da banda, com exceção do disco “Infected”, de 2011.
É possível dizer que é praticamente impossível um fã do gênero ouvir “Glory to the Brave” sem ao menos um sorriso. Portanto, se você se interessa pelo estilo mas ainda não ouviu isso aqui, vá sem medo. Esse disco definitivamente foi pensado em você.

Hoje em dia chega a soar datado esse tipo de som, mas não se esqueça de que isso deve a dezenas de bandas que copiaram isso aqui (entre outros discos clássicos dentro do estilo).
O teclado dá as caras na música título, provavelmente a melhor música do disco, cheia de climas, variações de com uma letra ligeiramente mais profunda que o resto (mas não espera um tratado de filosofia existencialista).
Uma curiosidade que merece destaque é que, ao contrário da maioria das bandas que despontavam na época, o Hammerfall não mescla sua música com nenhum outro estilo. Enquanto o Stratovárius misturava em seu som do barroco ao progressivo, o Rhapsody e o Blind Guardian reverenciavam o período medieval (só para citar 3 exemplos), o Hammerfall fazia heavy metal, pura e simplesmente. E é assim até hoje.
O disco também possui uma aura bem oitentista, que pode agradar os saudosistas daquela época.
Resumindo: Um disco sem pretensões, que pode render bons momentos de descontração e diversão!

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