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Resenha: Fourth Dimension (1995)

Álbum de Stratovarius

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O início de uma nova era!

Autor: Tarcisio Lucas

17/02/2019

O Stratovarius é uma banda extremamente importante na história do metal. Além de ser um dos nomes que firmaram e definiram o que veio a se tornar conhecido como "metal melódico", a banda possui uma extensa discografia, repleta de clássicos absolutos (e outros nem tanto).
Após uma série de 3 discos muito bacanas e consistentes, no qual o lider da banda TImo Tolkki, um guitarrista virtuosíssimo, também era responsável pelos vocais - e de forma muito competente, diga-se por sinal - algum motivo o levou a procurar um vocalista "full time", para que ele pudesse se concentrar exclusivamente nas guitarras e composições.
Aí entra em cena a figura do grande Timo Kotipelto, que viria a se tornar uma das vozes mais características do gênero, e acima de tudo, na voz definitiva do Stratovárius.
"Fourth Dimension" representa uma das melhores coleções de canções da banda. Kotipelto se encaixou desde a primeira música como uma luva no som da banda, e definitivamente o fato de poder se dedicar totalmente a criação musical e cordas elevou, e muito, o nivel das composições de Timo Tolkki.
Um destaque especial também deve ser conferido à apresentação gráfica do trabalho, aliás, uma coisa na qual a banda sempre soube se destacar. A capa consegue captar de forma incrível o conceito e clima do álbum. Não se trata, de forma alguma, de um disco conceitual; no entanto, as musicas transmitem alguns climas e atmosferas recorrentes, bem como as letras, que são simples sem serem simplórias, sempre trazendo algo interessante em suas construções.
Quem acompanha a carreira dos finlandeses já se acostumou com as primeiras musicas escolhidas para cada álbum, e "Against the Wind" não foge a regra: Riffs de guitarra certeiros, velocidade, teclados...tudo de forma bombástica e sem firulas ou enrolações. E, claro, a voz de Timo Kotipelto, que já entra quebrando tudo, mostrando que veio para somar muita energia e técnica ao som do conjunto.
O álbum continua com "Distant Skies", onde podemos notar, em meio ao melódico característico, o toque progressivo que a banda sempre explorou, as vezes em maior ou menor grau, ao longo de toda sua trajetória. Vale destacar os backing vocals, sempre interessantes e precisos (é o que acontece quando se tem um guitarrista que também sabe cantar muito bem!).
"Galaxies" é um capítulo à parte dentro do disco. A musica, que se inicia com um teclado que por pouco não beira o "brega" é uma música que possui uma estrutura totalmente diferenciada. Após essa introdução um tanto quanto duvidosa (digo isso, mas adoro), temos um trecho calmo e viajante, comandado pela voz, também viajante, de Kotipelto. Após uma breve ponte, temos o refrão - e que refrão, meus amigos! Com toques de Space rock, temos um dos refrões mais grudentos da história do metal melódico...e só! Sim! Não há uma segunda parte do vocal. Apenas um breve trecho instrumental, e o refrão que volta e fica se repetindo com algumas variações no instrumental! Parece que a banda soube que nada que eles tentassem fazer com essa musica superaria o refrão que eles haviam criado, e em uma decisão sábia, souberam focar no que haviam feito. Uma musica de uma sensibilidade extrema. Pontos para a banda.
E o álbum segue, alternando momentos mais "power" (mais) com outros mais introspectivos (menos), sem jamais deixar a qualidade do que é apresentado cair na mesmice.
 Compete aqui dizer que os teclados nesse disco ainda não estavam sob a responsabilidade de Jens Johansson, outra figura importante na história do Stratovárius. Mas o músico Antti Ikonen não faz feio, e dá conta do recado.

Em resumo, "Fourth Dimension" é um trabalho de qualidade, feito com honestidade, integridade e acima de tudo, com muito talento e competência.
O futuro reservaria uma história tribulada e cheia de voltas para a banda, mas dentro de toda essa tempestade é possível ver um grupo de músicos extremamente produtivos.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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