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Resenha: Close To The Edge (1972)

Álbum de Yes

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Uma obra-prima atemporal

Autor: Tiago Meneses

02/10/2017

Close to the Edge mesmo que não de forma unânime, é visto pela maioria como o ápice criativo e a obra-prima daquela que sem sombra de dúvidas é a banda que mais representou o gênero em sua essência durante toda a década de 70.

Contendo apenas três faixas, abre com a música homônima ao disco, um épico de quase 19 minutos. Se alguém me pedisse pra definir o rock progressivo em uma música, sem sombra de dúvida que o faria através de “Close to the Edge”. Uma peça dividida em várias partes, mas eu a dividiria em apenas três. A primeira parte é algo entre o caótico e o dramático, os instrumentos parecem lutar entre si, guitarra e teclado basicamente seguem caminhos diferentes, e isso é exatamente onde encontra-se a beleza da música. Em torno do terceiro minuto, a canção começa a mostrar uma estrutura perfeita que muitas vezes é interrompida por outra passagem confusa, mas ao mesmo tempo brilhante. A segunda parte da música está em torno de um pouco depois de sua metade, onde começa a desvanecer em uma delicadeza sonora. Estou me referindo ao famoso solo de teclado de Rick Wakeman que nos transporta para outra dimensão usando um som criado por Johan Sebastian Bach há 300 anos, um belo conflito entre modernidade e barroco clássico, simplesmente extraordinário, pra dizer o mínimo. Já a parte que coloco como sendo a terceira da música, é mais estruturada. Guitarra, teclado e baixo se completam perfeitamente bem, onde Wakeman é quem faz o papel principal. Mas sem sombra de dúvidas quem merece uma menção especial também é o baterista Bill Bruford, porque consegue combinar estilos usando batidas jazzísticas que mudam o tempo da faixa.

Depois de um grande épico como "Close to the Edge" a banda teve uma tarefa difícil, a de compor uma música que não vai soar fora do lugar após a primeira, por isso em vez de começar uma competição para ver qual é o mais complexa, eles criaram um faixa mais melódica e mais suave com uma estrutura em perfeita ordem.

"You and I" começa com uma introdução suave com todos os instrumentos, tendo exatamente o mesmo caminho em um ritmo muito definido claramente marcados por Steve Howe e Bill Bruford, nenhum caos ou confusão, tudo se encaixa perfeitamente em seu lugar, especialmente quando a voz de Jon junta-se pra complementá-los. Após esta introdução, vem um trabalho vocal belo e complexo feito de maneira perfeita por Jon e muito bem complementado por Steve Howe (acredite ou não) e Chris Squire (esse sim um especialista em backing vocals).Em seguida, uma explosão de energia, onde Jon e Rick assumem a liderança novamente complementando perfeitamente o baixo de Chris Squire, até uma passagem de violão bem suave leva-los a uma seção muito bonita, onde o teclado combina novamente com a voz de Jon. É claro que quem é acostumado com a música do Yes da época, acha basicamente necessário um solo de teclado em uma canção desse tipo, mas a abordagem de Rick é totalmente diferente, em vez de algo influenciado pelo barroco como em "Close to the Edge", ele faz um trabalho mais suave e melódico, de alguma forma mais moderno do que na canção anterior, mas não isento de drama que ele inclusive leva para a seção final, onde Jon e Steve encerram a faixa, de maneira suave como tudo começou.

Uma coisa que eu adoro nesse disco é o seu equilíbrio perfeito, Close to the Edge é complexa, barroca e claramente progressiva, "You and I" é melódica. Sem dúvida eles precisavam de algo mais hard ou mais pesado para fechar o álbum, e este é o que "Siberian Khatru" traz, que começa como uma canção de rock poderosa e dinâmica, mas, progressivamente, o peso se transforma em uma faixa mais melódica, onde os vocais são simplesmente um deleite. Mais uma vez o trabalho de Wakeman com os teclados é excelente, usando passagens semi barrocas que, de repente se transformam em seções explosivos onde Steve Howe na guitarra assume a liderança e em se tratando dos vocais, novamente é nas partes melódicas onde Jon parece mais confortável do que nunca. Estas súbitas mudanças são repetidas várias vezes para manter a dinâmica da música, e eu gosto especialmente dos vocais difíceis e complexos, no final da faixa, que levam a um desfecho poderoso. Só pra não deixar de citar, mais uma vez Chris Squire faz um trabalho perfeito com seu baixo e backing vocals.

Close to the Edge é sem sombra de dúvidas mais um dos álbuns essenciais dentro de qualquer discografia de rock progressivo que se preze. Uma obra-prima atemporal e que influenciou, influencia e seguirá influenciando por muitos e muitos anos músicos que queiram se aventurar nesse universo musical complexo, criativo, mas acima de tudo, desafiador.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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