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Resenha: Domingo (1995)

Álbum de Titãs

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Começando a despencar ...

Por: Marcel Z. Dio

30/01/2019

Quem viveu o rock nos anos 90, tem boas lembranças desse disco, porque marketing foi forte em torno de algumas canções. O grande problema é suportar o resto, ainda mais para quem se acostumou com o penúltimo (à época) e implacável Titanomaquia.
A segunda produção de Jack Andino não compromete, e até o instrumental tem seus méritos, o que pega em Domingo, são algumas letras bisonhas, que nem banda de garagem teria coragem para lançar.

Como o disco tem muitas trilhas, citarei apenas algumas, o resto fica por sua conta e risco ...

"Eu Não Aguento" tem na introdução as notas de "Sangue Latino" (Secos e Molhados) com certeza a homenagem veio de Charles Gavin, um fã incondicional dos mascarados. Inclusive no vídeo vinculado, a cabeça dos titânicos são distribuídas na mesa, tal qual a capa do primeiro disco dos Secos e Molhados.
A faixa mescla o peso oriundo do álbum anterior. De refrão simples e por vezes irritante, também com partes faladas, no estilo rap. "Eu Não Aguento" era composição de um grupo chamado Tiroteio, cujo a original eu nem sei se chegou a ser gravada por eles, pois nunca ouvi e não encontrei nada a respeito.

A interessante faixa título, foi o segundo single. A reclamação sobre o dia da preguiça foi justa, e o ataque aos programas televisivos mais ainda, o pior que continua assim até hoje. "Domingo" tem boas bases de guitarra e uma levada interessante.

"Tudo O Que Você Quiser" é fraca em todos os sentidos, como uma volta aos primórdios, especificamente o álbum Televisão. A ingenuidade da letra e o instrumental, soam como vergonha alheia, de uma banda desse nível, sempre se espera mais.
Pior ainda é tentativa tosca de reciclar a letra de Disneylândia (Titanomaquia) na faixa "Rock Americano".
"Eu Não Vou Falar De Nada" (Além Do Que Eu Estou Dizendo) é uma boa canção, bem divulgada a época, resgata um pouco a dignidade do trabalho.

"Qualquer Negocio" critica a futilidade humana, e espinafra outra vez os programas televisivos, não por coincidência tem harmonias que relembram a faixa título.
O peso tribal de "Brasileiro" tem o apoio de Igor Cavallera e Andreas Kisser (Sepultura), enquanto "Copo de Pinga" pega mais como tiração de sarro, numa típica cantiga folclórica de boteco.

"Pela Paz" encerra o disco, dando paz aos ouvidos. A canção com gosto de café requentado, abriria caminho para o Titãs de apartamento, consagrado pela mídia em baladas reflexivas com o "Epitáfio!. Pode agradar a turma do curte o que vier, mas para quem acompanhou o grupo desde o começo, chega a ser brochante. Para quem compôs Igreja, Jesus Não tem dentes no Pais dos Banguelas, e outras bordoadas, ouvir uma pseudo balada dizendo : O que você faz pela paz ?? ... é no mínimo um sinal de pieguice, ou a velhice chegando. Pode ser também o momento "We Are The World", sem Quincy Jones para a regência.

Como a propaganda é a alma do negócio, quem se fundamentou nas músicas vinculadas as rádios e MTVs e foi babando pra ouvir o resto, quebrou a cara !.

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