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Resenha: Painkiller (1990)

Álbum de Judas Priest

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Fazendo metal de verdade

Por: Fábio Arthur

16/01/2019

No final dos anos oitenta, as bandas começaram a mudar suas direções musicais. Esse fator atingiu praticamente todas do seguimento intitulado: Heavy Metal Tradicional. Grupos como Iron Maiden, Scorpions, KISS, Saxon, entre tantas outras, deram uma roupagem nova em suas vertentes musicais. O Judas Priest, não seria diferente. 
O maior problema que se elevou com a mudança desses padrões, foi que, muitos elementos acabaram sendo inseridos com mais afinco e assim denotaram uma excessiva carga de sintetizadores nas cordas, teclados e produções bem limpas; fugindo assim, da veia crua do heavy.
 
Naquele período, o Judas havia lançado o disco “Turbo Lover”, e sua direção havia sido totalmente envolvida nesses padrões de instrumentação do final de década citado. O que de fato, levou a muitos fãs a julgarem a banda como traidora.
Nos EUA, o Priest tinha respeito e seus concertos eram bem aceitos – agora a plateia era envolvida com muitos jovens, fãs mais velhos de longa data e muitas mulheres, afinal, era a moda daquele momento curtir rock pesado, hard ou metal. Motley Crue e Bon Jovi despontavam naquele instante e o Judas Priest era visto com bons olhos; ao menos por essa parcela de fãs ávidos pelo som inserido na mídia naqueles dias. 

Um pouco depois, o Judas tentou uma certa mudança em seu som, com as criticas sob o disco passado, a banda emergiu para uma nova direção, dando assim vida ao intitulado “Ram it Down”. Esse acabou trazendo uma nova perspectiva para a banda, que agora queria trazer de volta todo aquele glamour dos meados de 80: os fãs “Metalheads”.
E como nada pode ser perfeito, então de Seatle nos EUA chegava outra moda/estilo musical: o Grunge.  Então, agora os grupos de metal, tinham que ir mais adiante, para competir – literalmente – com o som elaborado dos jovens com camiseta de flanela e acordes mais simplórios, que eram a sensação da mídia especializada. 
As bandas como um todo, resolveram voltar em suas raízes, e isso seria o que todas almejavam e o que o mundo da musica ditava naquele instante – o comecinho dos anos 90. 
O Metallica surgia grande com seu estilo inovador, passando de Thrash Metal para um rock de peso e muito bem produzido. O Iron Maiden vinha com um som mais moderno, pesado nos padrões da banda e ao mesmo tempo com canções bem elaboradas que caíram corretamente nas graças da mídia e fãs; ou seja, batiam de frente com o movimento já citado, o Grunge. Entre outras bandas, Slayer, Megadeth entre outras tantas, passavam essa essência significativa em sua musica e mostravam o poder de fogo acirrado contra os modismos vigentes. 
Com esse segmento e querendo trazer o publico para si, o Judas Priest chegou em 1990 com um dos maiores discos de metal de sua carreira: “Painkiller”. 
O álbum foi produzido por Chrsi Tsangarides (Helloween, dentre outras bandas) e trouxe um Judas revigorado e sedento por heavy metal.
Em pontos importantes o álbum marca a entrada de Scott Travis na bateria, substituindo Dave Holland (R.I.P.), que já dava sinais de cansaço com a banda desde 88. E assim, o som do grupo acabou revigorado e muito incisivo, beirando e certos momentos ao Speed Metal. 
A banda chegou ao Rock in Rio 2 continuando a tour de Painkiller e realmente, não somente aqui mas ao redor do mundo, o disco foi agraciado com vendas altas e o amor dos fãs pela banda. 

Gravado na França, o disco traz excelentes faixas e acima de tudo o peso aliado a técnica musical e faixas bem escritas. A arte do álbum acabou sendo um ponto louvável e amado entre os fãs, enfim, um disco clássico e obrigatório. 
Musicas boas não faltam nesse petardo chamado “Painkiller”. A faixa-título é absurdamente bem estruturada e sintetiza metal na sua melhor forma; e que pegada de bateria, diga-se a verdade. “Hell Patrol”, All Guns Blazing”, “Touch of Evil”, “Night Crawler”, entre tantas, são as referências diretas desse mega-disco. 
Ao vivo. a banda trouxe faixas que não tocavam há algum tempo e um Rob Halford de cabeça raspada, dotado de tatuagens e um vocal extremamente firme e poderoso. 

"Painkiller" é pauleira sem fim!

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