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Resenha: Badlands (1989)

Álbum de Badlands

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Uma estreia de respeito

Por: Jeferson Barbosa

11/12/2018

Jake E. Lee, desde a sua estreia na banda de Ozzy Osbourne, sempre me chamou atenção pela sua capacidade técnica e performática em cima do palco, um grande guitarrista em todos os sentidos. Sua passagem pela banda de Ozzy foi um tanto quanto curta na minha opinião e ninguém entendeu bem quando foi divulgado que ele não fazia mais parte da banda de Ozzy.
A pergunta que se fazia, depois de um tempo de seu sumiço era de quando ele voltaria ao cenário musical. Após 2 anos do seu último registro com Ozzy, comentava-se que Jake E. Lee vinha trabalhando arduamente para montar uma supergrupo, que aliás eram moda naquela época, e lançar um novo trabalho. Segundo revistas especializadas, Jake vinha encontrando grandes dificuldades junto aos empresários das grandes gravadoras principalmente da Atlantic Records. Os membros desse supergrupo seriam nada mais nada menos que os “recém demitidos” do Black Sabbath, Ray Gillen e Eric Singer, além do pouco conhecido Greg Chaisson, irmão do baixista da banda Keel, Kenny Chaisson, e que havia participado de uma das primeiras formações da banda Steeler logo após a saída de Yngwie Malmsteen. Depois de um certo desgaste, acertaram então um contrato de lançamento do primeiro trabalho com a Atlantic Records graças a Ray Gillen que era amigo de Paul O Neil, produtor á falecido e que ficou conhecido pelos seus trabalhos com a banda Savatage. Paul conhecia Ray que por sua vez havia cantado na faixa “Strange Wings” do disco “Hall Of Mountain King”, primeiro trabalho de Paul frente ao Savatage.

Voltando ao Badlands de Jake E. Lee, este primeiro trabalho pode ser considerado uma obra-prima em todos os aspectos, pois trazia em sua essência a velha mescla do Rock com o Rhythm Blues, fusão essa muito utilizada por bandas dos anos 70 e vista com bom olhos pelos críticos e público, pois se tratava de algo diferente de tudo o que vinha sendo lançado até então já que o Glam Rock imperava no cenário americano. No disco fica evidente a maestria de Jake E. Lee, a qualidade vocal de Ray Gillen que apesar de ser considerado de certa forma “novato” já havia recebido elogios devido as suas performances frente ao Black Sabbath, além do peso da bateria de Eric Singer e do bom trabalho de Greg Chaisson que dá conta do recado sem comprometer. Os destaques com certeza são “High Wire” que abre de forma majestosa o disco com sua levada cadenciada, “Dreams In the Dark” que apesar de um certo status de comercial para divulgação junto a MTV, nos remete a Jake E. Lee com nuances características do seu período com Ozzy Osbourne principalmente no disco “The Ultimate Sin”, “Winters Call” possui uma magnifica linha melódica em seu início com uma performance pra lá de inspirada de toda a banda, “Streets Cry Freedom” com sua base pesada nos apresenta uma performance fantástica de Ray Gillen que também mostra suas influências blueseiras em “Rumblin Train” alternando a voz com maestria, além de Jake E. Lee que “bota os demônios para fora” barbarizando no solo principalmente dessa música. Por fim, fechando este magnifico trabalho atemporal em alto estilo, a linda balada “Seasons”. No cd há ainda a faixa bônus “Ball & Chain” um bluesão meio descompromissado que se não soma nada ao disco, também não decepciona.

Como curiosidade, à época, na propaganda de promoção do disco em revistas especializadas foi usado o lema “Feels So Good To Be So Bad” algo como “Sentir-se bem estando-se mal.
Alguém ai saberia dizer em que música do disco se encontra essa frase?

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