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Resenha: Jamming with Edward! (1972)

Álbum de The Rolling Stones

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O trabalho mais obscuro dos stones!

Autor: Márcio Chagas

24/11/2018

Mesmo o grupo mais famoso costumam lançar discos excelentes, mas que permanecem desconhecidos do grande público. Esse é o caso de “Jamming With Edward”, um disco diferente e peculiar, que mesmo nos dias de hoje permanece relegado e esquecido nas prateleiras de quem gosta do estilo.

 “Jamming With Edward” é um disco intimamente ligado aos Rolling Stones, mas muitas vezes até mesmo quem gosta e acompanha a banda desconhece.  Até sua gravação é envolta em mistério.  Alguns dizem que Mick Jagger, Bill Wylman e Charlie Watts se juntaram ao pianista Nicky Hopkins e ao guitarrista Ry Cooder altas horas da madrugada, na folga das gravações de “Let It Bleed” para um pequena jam session. O técnico de som gostou do que ouviu e deixou deliberadamente o gravador ligado, registrando toda a ação dos músicos, que celebraram o blues e o rhythm and blues até altas horas.  

Outra versão, conta que o produtor Jimmy Miller chamou Ry Cooder para as sessões previamente agendadas. Cooder é um especialista em blues e no uso de slide (um tubo de vidro que nos dedos do guitarrista desliza pelas cordas, causando um efeito peculiar), e portanto, perfeito para aquelas sessões  encharcadas de blues. Keith Richards não gostou nada de ter um novo parceiro nas seis cordas em estúdio e simplesmente não apareceu. 

Todo o disco é gravado em um clima bem informal, de improviso mesmo, e até por esse motivo o resultado é sensacional. Aqui você não vai encontrar nada parecido com os rocks fantásticos celebrados em disco como “Stick Fingers”, ou ‘Exile on Man Street”, e muito menos o pop descabido de “Dirty Works”. Neste trabalho o que impera é o blues de raiz e o rhythm and blues, estilos celebrados a margens do delta do rio Mississipi, com o resultado muito parecido com o que a banda fazia em seus primeiro trabalhos.  Um disco despretensioso, diferente e genial.

O fato de ser um trabalho sem a guitarra peculiar de Keith e contando com piano o tempo todo mudou a perspectiva musical do grupo.  Aqui o piano jazzístico e swingado de Hopkins caminha lado a lado com a guitarra bluseira de Cooder, que às vezes cede espaço pra a gaita malandra de Mick. Vale destacar “Blow With Ry” com seus mais de 10 minutos de puro improviso, e a instrumental quente e malandra “Edward´s Thrump Up”, com o piano de Nick passeando por toda canção. 

 A verdade é que em 1969, quando essas jam sessions foram gravadas,  o grupo não vinha atravessando uma boa fase (como se isso fosse novidade). Brian Jones, guitarrista e fundador do grupo havia sido encontrado morto na piscina de sua casa em condições suspeitas. O grupo estava gravando “Let It Bleed”, em minha opinião seu trabalho mais consistente até então, e se adaptando a chegada de um novo membro, o guitarrista Mick Taylor. 

ate a capa foi feita na improviso, desenhada por Hopkins em uma partitura com toques de humor negro. o titulo viria de uma fala do falecido Brian Jones: Quando este pede ao pianista tocar um acorde em Mi (Letra E em tablatura),  Nicky diz não entender a frase e Brian repete: "Toque um E como Edwards". o titulo seria uma forma bem humorada de lembrar do falecido amigo.

Um fato curioso foi que essas fitas ficaram engavetadas por três anos, só tendo sido lançado em 1972. Outro detalhe é que apesar de não trazer o nome “Rolling Stones” na capa, apenas o logo do grupo e o nome dos músicos,  “Jamming With Edward” alcançou a 33ª posição no chat da Bilboard. Nada mal para um trabalho marginalizado que ficou esquecido por muitos anos.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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