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Resenha: Zoot Allures (1976)

Álbum de Frank Zappa

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Um Disco lento, cadenciado e orientado pela guitarra.

Autor: Márcio Chagas

10/11/2018

Após lançar “Apostrophe (')”  e “One Size Fits All”, dois de seus maiores sucessos, Frank Zappa volta ao estúdio para gravar mais um álbum, só que desta vez sem uma banda regular, utilizando músicos diferentes em cada faixa e muitas vezes ficando ele próprio a cargo de todos os instrumentos com exceção da bateria tocada por Terry Bozzio, único músico ao lado de Frank a participar de todas as faixas;

Zoot Allures é diferente da maioria dos álbuns lançados por Zappa musicalmente falando, pois o músico optou por colocar nas prateleiras um álbum lento, arrastado, com seus vocais soando mais grave que o normal, como um daqueles cantores de blues tradicional. Curiosamente com exceção da primeira e ultima faixa, todo o álbum segue esta receita, optando por demonstrar um lado mais cool e sério do músico.
Zappa também optou por uma instrumentação mais digamos, tradicional, focado em baixo, bateria teclados e guitarra, sem tantos metais ou percussões, fato que lhe fez angariar um número maior de ouvintes que procuravam simplesmente um bom rock.

“Wind Up Workin In a Gas Station” abre o álbum em tom de deboche, com o desconhecido Dave Maire nos vocais principais. Uma canção diferente que destoa do restante do álbum. Em minha opinião foi um erro de Zappa colocá-la para abrir o este disco;

O álbum se inicia efetivamente “Black Napkins”, talvez o melhor e mais intrincado tema instrumental de guitarra já concebido até os dias de hoje. Zappa construiu a canção harmonicamente de tal maneira, que os demais instrumentos servem apenas como coadjuvantes para sua guitarra, que toma conta do tema de maneira onipresente. Vocais ao fundo e uma cozinha eficiente ajudam a sustentar a música, auxiliando nas mudanças de andamento. Realmente a melhor faixa do álbum;

Em “The Torture Never Stops” a voz grave de Zappa aparece pela primeira vez, conduzindo o tema, que é essencialmente lento e cadenciado. Frank praticamente recita o tema pausadamente, tendo gritos femininos ao fundo.  Além de cantar, o guitarrista responde por todos os instrumentos, sendo que apenas Terry Bozzio participa na bateria;

Com “Ms Pinky”  a ironia volta a tona, nesta canção onde a letra conta a história de uma sexy boneca inflável;

“Find Her Finer” com seu andamento malemolente, tendo como destaque os citados vocais graves de Zappa, aqui são amparados pela harmônica de Capitain Beefheart e pela cozinha Bozzio e o próprio Frank nas 4 cordas. Um tema interessantíssimo pela sua construção harmônica;

“Friendly Little Finger” É instrumental e esquizóide. Fascinante e intrincado, ele acaba esquecido por figurar como uma composição coadjuvante em um álbum de clássicos. Zappa toca todas as guitarra e baixos, amparados apenas pela Bateria de Bozzio e a marimba de Ruth Underwood. Seria o encontro perfeito entre os Mothers e King Crimson;

O tema seguinte, “Wonderfull Wino”, é um rockão cantado por Frank que novamente cuida das guitarras, baixos e teclados deixando a bateria novamente a cargo de Terry Bozzio;

A faixa tema é o segundo melhor tema do disco, perdendo apenas pra Black Napkins em minha opinião. Um tema lento, arrastado, com o baixo de David Parlato dando o suporte na medida para a guitarra de Zappa se destacar a frente do tema. embora seja calcada na guitarra, o músico construiu a canção sem excesso de notas, utilizando-as espaçadamente como se quisesse dar um tempo para o ouvinte assimilar a complexidade da canção. Embora instrumental, esta música ganhou bastante notoriedade com os fãs do guitarrista, que em muitas ocasiões a usou para abrir suas 
apresentações;

“Disco Boy”  encerra o curto álbum, é uma composição diferente, mais rápida, com vocais estridentes no refrão, contrastando com o vozeirão de Frank. Na verdade,  a música é uma crítica aos freqüentadores de discotecas que começavam a aparecer no ano de 1976 a aos Bee Gees;

Interessante mencionar sobre a terrível capa do álbum onde Frank aparece ao lado de alguns músicos que sequer tocaram no álbum. De todo modo, este pequeno incidente não tira o brilho de Zoot Allures que só por ter duas das melhores canções instrumentais já compostas vale a aquisição.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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