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Resenha: Anthem of the Peaceful Army (2018)

Álbum de Greta Van Fleet

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O novo disco do Led Zeppelin chegou! E é bom!

Por: Tarcisio Lucas

30/10/2018

Sempre quando vou em shows, escuto a galera falando que faltam mais bandas como antigamente. Já fui em dezenas de show, e em todos eles escutei variações desse argumento.
Pois bem, eis aqui uma bela resposta para isso. Há alguns anos, houve uma onda fortíssima de bandas que ficaram conhecidas como responsáveis pelo movimento “Post Punk Revival”. Eram bandas que se apoiavam fortemente a
no movimento original Post Punk do inicio dos anos 80. Algumas dessas bandas eram extremamente semelhantes, musicalmente, ao som que conjuntos clássicos como Joy Division, The Smiths e Bauhaus faziam. Semelhantes mesmo (pegue o primeiro disco do The Editors e compare com o Joy Division)!E a galera abraçou o movimento de coração aberto.
Por que não imaginar um movimento parecido, mas que se baseasse nas bandas clássicas de rock, como Deep Purple, Led Zeppelin, UFO, Scorpions? Pois bem, eis aqui o Greta Van Fleet, uma resposta para isso.
Pena que, ao contrário do que houve com a cena Post Punk Revival, que recebeu apoio da grande maioria dos fãs do estilo, esse retorno e inspiração setentista do Greta tem encontrado grande resistência entre os fãs.
A banda Greta Van Fleet vem chamando a atenção do mundo, sempre provocando reações bipolarizadas: há aqueles que veem na banda e em todo seu som nada mais que uma cópia descarada e extremamente exagerada do Led Zeppelin, e outros que já enxergam a banda como um sopro nostálgico, vendo nessa mesma semelhança assustadora com o Led um fator interessantíssimo.
É praticamente impossível encontrar alguém indiferente ao som do conjunto, para bem ou para o mal.
Pois bem, eu me encontro no segundo grupo. Eu realmente gosto do conjunto. Acho que existem um zilhão de cópias de um zilhão de outras bandas por aí, em todos os estilos dentro do rock e do metal. Temos muitas bandas bem sucedidas que lembram o Helloween, o Stratovárius, o Iron Maiden. Devem existir centenas de Metállicas genéricos por aí também.
O conjunto Greta Van Fleet se apóia despudoradamente no som de Robert Plant, Page, Jones e Bonham. Inegável isso.
Também é quase impossível dizer que não se trata de uma cópia. É uma cópia, SIM! Com toda a certeza.
Mas...não é original, não é nada novo...isso por si só é capaz de desautorizar todo o trabalho do grupo?
Deixando de lado o quesito originalidade, o que encontramos nesse disco é música extremamente bem tocada, composta com garra, e que promove uma verdadeira viagem no tempo, nos transportando para o inicio dos anos 70, com toda a rebeldia e ânsia de liberdade que ainda existia.
O vocalista Josh Kiszka consegue captar até os menores trejeitos de Robert Plant em sua voz. Muitos o criticam por isso, o que eu sinceramente não entendo; EU não acharia nada ruim se eu conseguisse cantar igualzinho o Robert Plant. Please, deixem o garoto curtir o dom que tem em paz! Ou vocês realmente acham que alguém que tem esse timbre de voz e consegue essa impostação vocal DEVERIA se colocar de outra forma?
Algumas músicas são tão próximas ao que o conjunto britânico fazia que chegam a parecer covers, como a introdutória “Age of Man”.
Mesmo na parte lírica, a banda se baseia no famigerado exemplo: letras que misturam referências místicas (mitologia nórdica, tradições indígenas) com outras passagens mais ligadas à relacionamentos amorosos um tanto quanto cafajestes. Com um pouco de viagens lisérgicas, claro.
“Anthem of Peacefull Army”(e que título bacana, convenhamos!) é de uma escuta agradabilíssima. As músicas são relativamente curtas, e é rock and roll fluindo do início ao fim.
É claro, em algum momento a banda precisará achar a própria voz e uma identidade mais particular. Isso é algo que certamente será cobrado, e que certamente surgirá dentro da própria banda em certo momento. 
Mas eu realmente não entendo o mar de críticas direcionado à banda. Copiar um clássico do Rock sem competência é uma coisa, mas isso aqui é bem feito demais. Sem contar que a faixa etária dos ,músicos do grupo é baixa, eles ainda estão começando,  ainda possuem o benefício da imaturidade musical.
Não estou querendo doutrinar ninguém, nem mudar opiniões. Só acho que o rock e o metal possuem espaço para todo mundo, e acho que a melhor coisa a fazer é deixar esses espaços abertos.
Confesso que a banda caiu no meu gosto, e acompanharei com atenção a evolução da banda.

Certamente espero algo novo, um som próprio. Mas até isso acontecer, vou me divertir bastante com esse guri cantando igual ao Robert Plant e vestido igual ao Bob Dylan.

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