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Resenha: The Warning (1984)

Álbum de Queensryche

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Um Clássico absoluto dos anos 80!

Autor: Márcio Chagas

22/09/2018

Em 1984 o Heavy metal crescia vertiginosamente no mundo, e na chuvosa e sombria Seattle o Queensryche lançava seu primeiro trabalho completo. No Brasil só tivemos acesso ao álbum no ano seguinte através do selo Heavy Metal Attack, pacote lançado no país pela gravadora EMI. Como adolescente comprei vários títulos do selo que incluía varias bandas do segundo escalão do hard e heavy como Helix e icon. No meio de tantos títulos mais dispensáveis veio o primeiro trabalho do grupo. Porém, ao colocar o vinil pra tocar confesso que me assustei, pois não estava preparado para o que viria a seguir. No meio da década de 80 ninguém havia gravado algo tão complexo e rebuscado na seara do heavy metal.

Michael Winton e Chirs DeGarmo formavam a dupla de guitarras tão afiadas quanto Smith e Murray do Maiden, porém, mais técnicos e complexos, com estilos distintos e se completando mutuamente. Scott Rockenfield já dava sinais de que seria um dos melhores bateristas do estilo, com sua técnica pesada e intrincada. Eddie Jackson é daqueles baixistas que privilegiam o peso e a base sem firulas, como, aliás, todo baixista deveria ser. E por fim, Geoff Tate, uma vocalista que conseguia ser técnico, complexo, passional e inventivo, sendo o grande diferencial de todo o grupo. 

De cara, a faixa título mostrava algo novo e inédito: músicas pesadas, com influência de Iron Maiden, mas um novo vocal muito trabalhado, com com coros gravados em vários tons, notas absurdamente altas e líricas, contrastando com o peso  do grupo. Rockenfield destrói na bateria!

"En Force" vem em seguida, com uma perfeita integração entre as guitarras e o vocal de Tate que se entrelaçam de maneira única e coerente;

"Deliverance" é mais curta e direta, um heavy tradicional, apesar de mudanças de andamento e do vocal esplendoroso de Geoff;

"No Sanctuary" é bem complexa. Começa lenta e soturna, e vai crescendo a medida que se desenvolve, em uma clara influência do rock progressivo. Destaque absoluto pros arranjos elaborados por Michael Kamen, que soube valorizar a interpretação magistral (mais uma vez) de Geoff Tate;

"NM 156" com sua letra extremamente politizada sobre guerras e extermínio da população em plena guerra fria, é mais rápida do álbum, com seu riff de guitarra calcado em palhetadas nervosas e precisas e seu solo dobrado. 

Em seguida temos um verdadeiro hino do estilo que viria ser denominado prog metal: "Take Hold of the Flame", com suas mudanças de andamento, vocais complexos e altos contrastando com  arranjo ao mesmo tempo lírico e pesado, um verdadeiro clássico. Quem foi adolescente nos anos 80 e nunca escutou essa música com o volume “no talo” que atire a primeira pedra;

"Before the Storm" é outra canção tipicamente metal, com seu refrão marcante, bateria “na cara” e guitarras bem timbradas;

Em "Child Of Fire" temos mais uma vez como destaque o vocalista Tate. É impressionante como grupo elaborava os arranjos que valorizassem sua voz. Apesar de pesada, esse tema contém um dos solos mais progressivos já gravados pelo grupo, cortesia de Michel Winton;

A cadenciada "Roads To Madness" encerra o petardo, é a mais longa (nove minutos) e mais progressiva do álbum,  com sua introdução arrastada e o baixo pulsante de Jackson abrindo caminho paras as guitarras mais que entrosadas de Wilton e DeGarmo. O vocal de garante uma interpretação passional na primeira parte, fazendo um belíssimo contraponto com vozes e orquestrações ao fundo. Já chegando ao final o tema cresce e a música ganha peso e velocidade. Isso pode parecer comum nos dias de hoje, mas não em 1984, onde o termo prog metal nem sequer existia.

"The Warning” cumpre bem seu papel de disco de estreia, abrindo caminho para o grupo lançar trabalhos cada vez mais elaborados, vindo a ser um dos precursores do estilo denominado prog metal. Um disco clássico do metal oitentista. 

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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