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Resenha: Better Late Than Never (2015)

Álbum de AndersonPonty Band

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Ex-Yes e Jean Luc Ponty no topo da forma

Autor: Roberto Rillo Bíscaro

01/08/2018

Jean Luc Ponty é um violinista francês que nos anos 70 ajudou a popularizar o jazz rock, fusão entre os dois gêneros, que teve importante marco com o álbum Miles in the Sky (1968), de Miles Davis, embora registros já existissem na Inglaterra sessentista. Jon Anderson foi vocalista do Yes em suas melhores encarnações. Ambos tencionavam trabalhar juntos desde os anos 80, mas a parceria concretizou-se apenas em 2015, com a The Anderson-Ponty Band.

Distantes do interesse de mercado das grandes gravadoras, os 70tões apresentaram o projeto à Kickstarter, empresa norte-americana especializada em crowdfunding, e o resultado pudemos comprovar em setembro, com o lançamento do CD/DVD Better Late Than Never. Quem compareceu à Wheeler Opera House, na chique Aspen, Colorado, em setembro do ano passado, comprovou antes a boa qualidade do trabalho dos veteranos e da experta banda que reuniram. O CD (esta resenha é sobre ele apenas) foi gravado ao vivo na ocasião.

Não é incomum decepcionar-se, quando artistas de alto calibre se reúnem, porque expectativas irrealistas são construídas. Não é o caso de Better Late Than Never. Só se desapontará quem esperar uma orgia prog sinfônica: o álbum tem forte influência jazzística, mas não é prog no sentido do que menos avisados esperariam de um ex-Yes. Também não é jazz. Trata-se de música com várias influências, que agradará até a fãs de MPB estilo Milton Nascimento. É uma festa de boa música.

O álbum tem canções de Ponty, do Yes, de Anderson-solo e composições da dupla para o projeto. No caso das do instrumental Ponty, Anderson acrescentou suas letras New Age de autoconhecimento e poder do amor e do indivíduo. É o caso de One in the Rhythm of Hope e de Mirage, que nos 80’s servia de música de fundo para quase qualquer coisa. Ela se transformou em Infinity Mirage e está mais orgânica do que o sintetizado original, e, emendada com Soul Eternal, que tem uma levada bastante comum em alguns ritmos nordestinos, reiterando que matrizes culturais viajam e purismos são bobagem.

Uma das diversões é identificar o que é de quem, como na Intro, com suas citações a Infinite Pursuit, do francês e And You and I, do ex-grupo do inglês. E a faixa do perfeito Close to the Edge volta mais tarde, bem concisa, folk e com lindo piano granulado.

As releituras das canções do Yes não desrespeitam a majestade dos originais. Talvez puristas reclamem da transformação de Time and a Word em reggae rasgado, mas embora esteja garantido o direito de se preferir a versão do LP de 1970, a levada Bob Marley ficou boa e mais apropriada ao tipo de trabalho e aos tempos de hoje. Owner of a Lonely Heart colocou o violino no papel da guitarra e Ponty esmerilha, como também em Roundabout, tão delirante quanto a versão de Fragile, mas distinta.

Ainda em excelente forma, Anderson e Ponty lograram um excelente trabalho. Como reza o título, Antes Tarde do que Nunca.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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