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Resenha: Seven (2014)

Álbum de Lisa Stansfield

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Nada de disfarçar rugas musicais

Por: Roberto Rillo Bíscaro

25/09/2017

No auge da popularização da acid house, Lisa Stansfield participou de uma faixa do álbum do Coldcut. People Hold On estourou em 1988 e no ano seguinte a vocalista – que já ralava no meio musical há anos, com sucesso modesto – saiu em carreira-solo, abocanhando boa parte do globo com o überhit apropriadamente intitulado All Around the World. Seguiram-se álbuns sofisticados misturando sonoridades negras adaptadas ao gosto noventista. La Stansfield é da linhagem de branquelas britânicas de alma preta: Dusty Springfield, Helen Terry, Alison Moyet, Anne Lennox, Amy Winehouse, Adele.

Sentindo-se deslocada do meio musical do atual século, a chanteuse parou de gravar em 2004. Talvez porque os anos 90 estavam entrando na moda, Lisa soltou material novo, em 2014. Seven não disfarça rugas sonoras: o mais recente que La Stansfield soa é anos 90 mesmo, num trabalho com vários pontos altos.

A produção é cristalina, com sedosas e deslizantes cordas e suingado naipe de metal. O vocal modula mansas marolas ou surfa em ondas de emoção tsunâmica.

Seven abre soberbo com Can’t Dance, na qual percebemos a maturação do grave da cantora, na segunda metade de seus 40’s. Com guitarra a la Chic, dá vontade de desfilar, deslizar, planar, batendo palminhas ocasionais.

Why cai no jazz apimentadinho de Peggy Lee e no som de big band tipo Benny Goodman (adivinhem em qual banda Peggy cantava?). Tente ouvir sem estalar os dedinhos!

A essência Motown de So Be It convida à patinação na primavera, mesmo não se sabendo. Carry On explode com introdução disco e se metamorfoseia em Motown mais marcada e a letra afirmativa empodera pra levar qualquer fora do(a) parceiro(a).
The Crown é o mais contemporâneo de Seven: urban soul, anos 90. Da mesma década é Love Can, com seu aceno pra sensualidade de Barry White, uma das fixações de Stansfield.

As faixas mais lentas surrupiam as cinco estrelas para Seven. Destaque vai para Stupid Heart, de sonoridade ianque sulista e vocal encharcado de emoção. Outras, tirante a interpretação não têm muita graça.

A Deluxe Edition traz três faixas ao vivo, provando que a cantora também sabe fazer fora do estúdio e desnecessária releitura de You Can’t Deny It, faixa do álbum de estreia.

Lisa Stansfield ainda tem um truque ou dois para ensinar às divas novatas.

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