Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Neil Young & The Bluenotes: This Note's For You (1988)

Álbum de Neil Young

Acessos: 989


O Velho Lobo canadense fora de seu habitat natural

Por: Márcio Chagas

15/07/2018

No final dos anos 80, com mais de 20 anos de carreira, o mestre Neil já havia flertado com inúmeros estilos, mas acabou surpreendendo a todos lançando este trabalho bastante influenciado pelo jazz. O cantor formou uma nova banda apenas para a gravação deste trabalho chamada de "The Blue Notes", que contava com um competente sexteto de metais além de Frank "Poncho" Sampedro nos teclados, Rick "The Bass Player" Rosas no baixo e Chad Cromwell na bateria. 

. Mas o velho lobo canadense com seu som sujo  e desleixado conseguiria se encaixar em um estilo tão polido e refinado com o jazz? Bem, nunca duvide de um gênio! “Then Men Workin” abre o CD e mostra o quão diferente seria aquela viagem musical. Young canta uma canção de andamento rápido e completamente comandada pelos naipes de metais, com a guitarra aparecendo apenas em um solo no final. A faixa título é uma perfeita combinação entre o velho estilo de Young com a nova proposta, ou seja: sua guitarra com vibrato ao lado de um sax melódico e bem colocado. “Coupe de Ville” é uma das melhores faixas do trabalho, um tema tranquilo  e lírico comandado pelo trompete de Tom Bray onde Neil tenta emular o vocal soft de Chet Baker.

“Life in The City” é toda calcada nos metais, meio jazzy e com pegada rhythm and blues, com a voz e guitarra característica de Young se sobrepondo ao naipe de metais.  "Twilight" começa de maneira soturna, com guitarra e sax duelando de maneira melódica até a entrada do vocal lento de Neil. É uma balada midi tempo, costurada o tempo todo pelo sax, e com um solo diferente de guitarra. "Married Man", é um tema curto e rápido onde os metais são influenciados pela soul music e não predominantemente pelo jazz. 

Em seguida vem “Sunny Inside", outro tema bastante influenciado pela soul music e novamente os metais servem de base para os vocais do velho lobo canadense. "Can't Believe Your Lyin'" é outro momento cool, uma canção lenta e jazzística que poderia facilmente fazer parte de um disco de Joe Pizzarelli. “Hey, Hey” tem uma pegada mais rocker, com um bom andamento. Young encerra o trabalho com  "One Thing", uma balada preguiçosa  com um longo solo de saxofone. 

Musicalmente é um disco de rock encharcado de jazz, onde até o vocal de Young se mostra mais cool e tranquilo como se fosse um Chet Baker da folk music. Muitos fãs do canadense consideram este trabalho apenas regular. Realmente, é um disco distante do estilo  que consagrou o cantor, mas ouvindo desprovido de preconceitos, se mostra um excelente álbum, com a união homogenia ente rock, jazz e folk music. Young nunca mais lançaria outro trabalho do gênero, o que é uma pena porque mais uma vez o canadense mostrou que sabe adaptar novos estilos ao seu som.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.