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Resenha: Strange New Flesh (1976)

Álbum de Colosseum II

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Um dos supergrupos mais subestimados dos anos 70

Autor: Márcio Chagas

14/07/2018

Na metade dos anos 70, o baterista Jon Hiseman resolve remontar sua antiga banda chamada Colosseum, um combo de jazz rock que obteve boa repercussão no inicio da década. Batizada apropriadamente de Colosseum II, o músico começou a reunir instrumentistas para que pudesse gravar um disco e colocar o grupo na estrada. Para a guitarra veio Gary Moore, um irlandês que fez fama tocando no Thin Lizzy e no Skid Row (não, não é esse Skid Row que você está pensando). Para o baixo veio Neil Murray, que havia conseguido alguma repercussão em torno de seu nome por seu trabalho com Gilgamesh e na banda solos do baterista Cozy Powell. Para os teclados Jon convocou Don Airey, que também fez parte do grupo solo de Powell, além de servir como músico contratado para o Black Sabbath. E para os (poucos) vocais, Hiseman apostou no jovem Mike Starrs.

A escolha na composição do line up, mostrou que Hiseman tinha possuía um sexto sentido aguçado para descobrir novos músicos, uma vez que todos brilhariam futuramente nas maiores instituições de rock pesado, como Whitesnake, Black Sabbath e Deep Purple.

Com a formação completa, os músicos entraram em estúdio e  gravaram seu primeiro trabalho intitulado “Strange New Flesh” em clima de jam session, onde todos os músicos contribuíam para a construção dos temas como uma só unidade, com longas passagens técnicas e complexas 

A faixa que abre o disco é “Dark Side Of The Moog”, um tema instrumental com predominância do Moog de Airey, que se sobrepõe a guitarra afiada de Moore. A música, com várias nuances e andamentos mostra o quilate dos músicos envolvidos, sempre precisos e impecáveis. Essa é um dos melhores temas do álbum;

“Down To You” é o segundo tema, uma balada composta por Joni Mitchell onde os  vocais de Starrs aparecem pela primeira vez. Embora comece de um modo relativamente simples, o tema de quase nove minutos não se limita a algo simplório, ainda mais se tratando dos músicos em questão. No meio da canção há uma queda brusca do andamento, para a entrada de solos de piano e violão, uma passagem clássica em meio a uma balada, para retornar ao andamento anterior com um solo matador de Airey. Os vocais de Mike merecem destaque, não só por seu alcance, mas pela forma como o vocalista coloca sua voz.

A faixa seguinte “Gemini and Leo” apesar de contar com vocais, tem uma pegada mais funky, no estilo utilizado por Jeff Beck em Wired.  O tema mostra como o grupo estava coeso, podendo tocar o que bem entendesse. Destaque absoluto para as guitarras de Gary Moore;

O disco segue com  “Secret Places”,  um bom tema hard prog, onde Moore utiliza até os recursos de talkbox. Mike Star volta a brilhar em sua performance, encaixando seus vocais harmoniosamente no meio dos instrumentos;

“On Second Thoughts”, é uma canção eminentemente progressiva, com guitarra Floydiana na introdução e os vocais de Stars entrando suavemente logo em seguida. O tema começa a crescer aos poucos com a entrada dos demais músicos principalmente o Mellotron bem colocado de Airey. O solo viajante no fim da música mostra o quanto Morre era um músico versátil e a frente de seu tempo;

“Winds”  é a suíte do disco. Com mais de 10 minutos, a faixa se inicia com um solo de bateria magistral de Hiseman, que rapidamente é seguido por todo o grupo. Um tema complexo, com muitas variações de andamento e boa colocação vocal de Stars.  Como é de se esperar, a segunda parte da canção é quase completamente instrumental, se sobressaindo a guitarra de Moore e a bateria de Hiseman;

Após o lançamento do disco, Mike Stars vai para o Lucifer´s Friend e Neil Murray integra o National Health.  O Grupo chama John Moile para o baixo e Gary Moore passa a cuidar dos poucos vocais, uma vez que o grupo estava buscando uma linha cada vez mais instrumental.

Há algumas versões deste disco com faixas bônus e outras inclusive com um CD extra recheado de versões alternativas e demos. A maioria desse material extra mantém o mesmo nível das faixas principais. 

“Strange New Flesh” é a combinação perfeita entre progressivo e fusion. Uma pena que o grupo tenha tido uma vida curta e lançado apenas três discos, pois tinha talento para produzir muito mais.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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