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Resenha: Ritual (2002)

Álbum de Shaman

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Um dos melhores trabalhos do metal

Por: Marcio Alexandre

29/06/2018

Anos 2000 e a cena metal nacional sofria com o rompimento de um dos seus maiores expoentes do gênero, o Angra se desfazia deixando incerto o que seria dali em diante, porém, com pouco tempo, André Matos, Luís Mariutti e Ricardo Confessori anunciam que ainda vão se manter em atividade com outra banda, agora com Hugo Mariutti, irmão de Luís, na guitarra, surgia assim o Shaman e seu debut, "Ritual" nas lojas como um trabalho impecável, de alto nível, deixando de lado o Power metal tradicional de "Angels Cry" para experimentar bases mais pesadas e vocais mais rasgados.
Gravado na Alemanha, e produzido por Sasha Paet, nome que já havia trabalhado com o Angra e outras bandas do gênero como Edguy, o disco chegou em 2002 e causou verdadeiro impacto nos até então órfãos de André e companhia.

Um interlúdio tribal e com retoques de música clássica abre disco, é a faixa "Ancient Winds" que coloca o tom épico que está por vir dali em diante, é a porta de entrada para o espetáculo que chega...

Agora sim temos a banda em ação com "Here I Am", que começa rápida, pesada e cheia de fôlego e vontade mostrando o porquê de se levar as coisas adiante naquele momento. A primeira ponte para o refrão da canção e André já mostra que está renovado e pronto pra se manter como um dos, (se não o) melhores vocalistas nacionais. Há quebradas de bateria com um Confessori furioso, mudança de tempos, guitarra cheia de peso e um baixo que parece um cavalo disparando coice para todos os lados, e que refrão, que refrão! Fora a bela passagem de piano já metade. Que começo!!

Com um começo de filme de terror clássico, "Distant Thunder" surge pesada e ao mesmo tempo bastante melódica. André aparece rasgando a garganta para em seguida cair numa parte bastante melódica e abusando de um agudo maravilhoso. Aqui podemos notar um lado mais prog da banda, numa pegada que remete de longe ao "Awake" do Dream Theater. Que belo solo de Hugo da as caras por aqui.

A quarta faixa, por mais que eu tente relatar em palavras o que ela é não há condição de se passar a experiência que é ouvir "For Tomorrow", ou o êxtase que ela causa nas apresentações, e não a toa. A faixa começa com um toque indígena onde flautas e percussões características abrem espaço para um violão e a voz mais grave de André em ação, para em seguida explodir em uma guitarra de afinação baixa e arpejos, com um vocal rasgado e um acompanhamento de bateria onde Confessori abusa de pedais duplos, marcações na condução, quebras de ritmos, chimbal em contratempo e claro que o baixo de Luís está ali com uma puta presença. Se tornou o clássico mor da banda e um dos maiores da carreira de André. Simplesmente foda pra caralho!

Um piano surge na calma introdução de "Time Will Come", aparentando que vamos ouvir uma balada, mas logo as coisas mudam para um andamento bem rápido, carregado por paletadas certeiras. O refrão da faixa é bastante marcante, talvez um dos melhores já compostos por André, pega fácil devido a bela melodia. Temos aqui também outro belo solo de guitarra.

"Over Your Head" disputa lado à lado com "For Tomorrow" a candidata por favorita do disco. Que faixa linda, pesada, com uma levada quebrada que explode em momento de fúria e altos vocais, mais uma vez, que refrão! Fora a riqueza do seguimento, no solo temos acompanhamento de uma percussão indiana, um solo de violino feito por Marcus Viana e um belo solo de teclado, arranjado feito por ninguém menos que o ex Dream Theater, Derek Sherenian. O final da canção é uma das coisas mais belas já entoadas por André Matos. Mais uma vez, foda pra caralho!

A faixa seguinte é bastante conhecida do público em geral, pois virou trilha sonora de novela global, e não a toa. "Fairy Tale" tem ares de uma canção saída de algum filme medieval, e caiu no gosto popular por pessoas que nem faziam ideia do que era aquilo, devia à "O Beijo do Vampiro", e de algumas que sabiam e diziam ser a nova canção do Angra. De fato é uma bela música, tem um refrão forte e marcante, com andamentos com pianos, flautas, violinos e um André carregado de sentimentos, acho que nunca o vi cantar nada tão forte como o último refrão. Serve de balada por aqui, e faz esse trabalho muito bem.

"Blind Spell" talvez seja a faixa mais comum daqui. Tem uma andamento simples perto das demais, o que em hora nenhuma a faz soar como uma faixa ruim. Interessante a levada que Confessori puxa no solo, de longe se lembra a introdução de "Carolina IV".

A faixa título da as caras perto do final do disco. "Ritual" é um tanto pesada com guitarra abafada e que dinâmica André surge na voz, ao mesmo tempo que soa mais "pesada", há uma melodia gigantesca nas notas. Há um solo bastante interessante aqui, apesar de curso, é bem interessante a forma que é executado.

Fechando o disco em clima de festa, "Pride" é bem rápida, e quem entoa o primeiro verso é Tobias Sammet, vocalista do Edguy, parceiro de André no Avantasia e amigo pessoal. A brincadeira funciona muito bem numa canção que causa dores no pescoço com o bate cabeça, e que agudos de André surgem por aqui, foi pra encerrar da melhor forma possível. Luís fuzilando seu baixo com notas rápidas, pedais a mil por hora, guitarra e harmonia exalando por cada poro. Além de uma imensa satisfação pelo resultado entregue no trabalho.

"Ritual" se solidificou como um dos maiores e melhores álbuns de metal nacional e até mundial, é perfeito em todos os quesitos e o melhor de tudo é que leva o selo verde e amarelo do Brasil, é daqui que saiu! Que melhor hora a de se lembrar esse petardo do que em tempos de reunião dessa formação! Que venham os shows!

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