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Resenha: Beyond The Seventh Wave (2014)

Álbum de Silhouette

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Excelente prog holandês contemporâneo

Autor: Roberto Rillo Bíscaro

28/06/2018

Longe do sucesso comercial desde meados dos 70’s, o rock progressivo fervilha ao redor do globo com divulgação em revistas, zines, sites e cenas atuantes em países às vezes minúsculos como a rica Holanda.

Em novembro, de 2014, o SILHOUETTE lançou seu 4º álbum, Beyond the Seventh Wave. A pátria que pariu FOCUS, TRACE e KAYAK pode se orgulhar de seu prog século XXI: que discaço!

Os holandeses produziram um álbum contemporâneo em termos de produção, sem perder as raízes sinfônicas setentistas e, acima de tudo, sem pasteurizar a emoção.

Beyond the Seventh Wave é conceitual, baseado na história do francês Henri Charrière, injustamente condenado à prisão na Ilha do Diabo. Setentista até na escolha do tema, muito popular na década devido ao filme Papillon (1973), estrelado por Steve McQueen e Dustin Hoffman.

O SILHOUETTE usa órgãos e teclados Moog, reproduzindo a sonoridade do melhor prog sinfônico 70’s. A guitarra é plangente e aguda. A única faixa em que soa grave e pesadona – parece prog metal – é Escape, mas logo um acolchoado de teclados e guitarra aguda encobre a insurreição metaleira.

Exceto pelo momento meio pop rock de Wings to Fly, faixa de encerramento, Beyond the Seventh Wave é um orgasmo pra fãs de prog sinfônico, especialmente pra genesianos. In Solitary parece ter saído de The Lamb Lies Down on Broadway, tanto pelo piano, como pelas vocalizações e pela guitarra super Steve Hackett.

Altamente melódico, é nas faixas mais longas, como Web of Lies Part I, Lost Paradise e Devil’s Island em que os climas vibrantes e viajantes se constroem com perfeita interação entre o instrumental prog e violoncelo, clarineta, flauta e violino, resultando em momentos líricos e intensos.

Se há elo defeituoso nessa cadeia sônica, são os vocais, nem sempre a altura do excelente material.

O SILHOUETTE deu outro importante passo na elogiada carreira e prova que o rock progressivo vai bem e ainda é capaz de oferecer requintados momentos.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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