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Resenha: Immemorial (2011)

Álbum de Mythological Cold Towers

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As areias do tempo em forma de música!

Por: Tarcisio Lucas

31/10/2018

Lançado em outubro de 2011, "Immemorial" representou mais um marco na carreira sem falhas do grande Mythological Cold Towers.
Com esse álbum, a banda - o maior monumento do Doom Metal nacional, sempre vou repetir isso quantas vezes puder e for necessário-- apresenta tudo que havia desenvolvido anteriormente, acrescido de um refinamento extra e de uma qualidade adicional que só músicos engajados com o próprio trabalho poderiam desenvolver.
Liricamente, a banda foca na história remota de civilizações pré-colombianas de grande majestade, mas que desapareceram engolidas pelas areias do tempo, deixando, muito mais que histórias registradas, mistérios e segredos.
Essa preferência pelos mistérios do passado casa perfeitamente com o som que aqui é apresentado; a melancolia do doom está aqui intacta, lógicamente, mas sai do âmbito estritamente pessoal, tão comum nesse tipo de som, e parte para uma "tristeza maior" que abarca não um único indivíduo, mas sim toda uma civilização, discorrendo, lirica e sonoramente, sobre a fatalidade dos destinos, sobre a relatividade das grandezas dos impérios humanos, e sobre a fragilidade de nosso conhecimento a respeito de nossa própria história.
A banda inicia o disco com as músicas "Lost Path to Ma Noa" e "Akakor", que figuram entre os grandes momentos da banda ao longo de sua história. Eu nunca levaria a sério uma coletânea de doom metal que não apresentasse ao menos uma dessas 2 músicas!
"Enter the Halls..." acrescenta uma crueza e um peso adicional, com vocais mais rasgados do que o tradicional, uma paulada absurda, densa e megalítica.
"The Shines of Ibez" aposta em riffs simples e extremamente marcantes, uma outra característica da banda: mesmo dentro de um estilo que prima, geralmente, mais pelos climas tétricos e lentos (e tem toneladas disso aqui também), a banda sempre soube trabalhar cada instrumento de forma única, coisa que encontramos apenas em medalhões do gênero, como Paradise Lost e Anathema (começo de carreira). Logicamente, quando falamos do Mythological Cold Towers, estamos falando de um dos medalhões do estilo.
A capa do disco é maravilhosa, ao mesmo tempo fazendo referência á cultura original da America pré colombiana e às sombras que o passado esconde dentro da própria história. Esse cuidado visual sempre foi parte do MCT, e aqui não seria diferente.
"Immemorial" é aquele disco que você pode mostrar toda vez que alguém perguntar para você: "Cara, o que é doom Metal?". Ela pode até não gostar do que ouvir - cada um tem seu gosto - mas terá uma ideia claríssima do que as palavras "Doom Metal" significam!
Além disso, tudo que falarmos é chover no molhado: a banda toca demais, o vocalista possui um gutural fantástico, as cordas são tocadas impecavelmente, a bateria e o baixo tem o peso de milhares de anos de areia sobre as ruínas de uma civilização antiga.
O que nos resta dizer é: escute essa maravilha. E caso você aprove, vá sem medo para QUALQUER outro disco dos caras, sejam mais posteriores a esse, sejam anteriores; a qualidade será a mesma, ainda que a banda saiba conferir personalidades diferentes em cada lançamento, sem jamais descaracterizar o som.
As civilizações antigas foram engolidas pelo tempo. Mas o Mythological Cold Towers etá aí para desenterrá-las e mostrá-las ao mundo!

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