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Resenha: I Can See Your House From Here (1979)

Álbum de Camel

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Canções com acento pop se misturam com temas progressivos

Autor: Márcio Chagas

10/06/2018

O final dos anos 70 não era o melhor momento para o Camel. O grupo havia perdido seu membro fundador Peter Bardens logo após  o lançamento de “Breathless”, que saiu antes mesmo da finalização da turnê mundial. Sobrou para os membros fundadores Andrew Latimer e Andy Ward seguir em frente reestruturando o grupo. Era importante conseguir um bom tecladista, alguém que pudesse preencher a lacuna deixada por um músico  tão carismático quanto Bardens.  O grupo já contava com a ajuda de Jan Schelhaas,  tecladista do Caravan que substituiu o dissidente Bardens na turnê anterior, e resolveram mantê-lo.  Acreditando que  dois tecladistas poderiam expandir a musicalidade da Banda, Latimer e Ward após ouvir um Disco do grupo Happy The Man, concordaram que Kit Watikins seria a escolha perfeita para o grupo.  Para o baixo, veio Colin Bass, músico que havia trabalhado com  Steve Hillage, e fora altamente recomendado a banda por Laurie Small, gerente de turnê do guitarrista.  Colin e Kit, chegam na banda no meio dos ensaios para a gravação do disco no inicio de 79 em Wood Farm, Suffok.

 ‘I Can See House From Here”,  que deveria ter se chamado de “Endangered Species”, chega as lojas no final de outubro de 1979 e mostra o Camel   enveredando por novos caminhos. Se em algumas faixas o grupo manteria sua veia progressiva, em outras exploraria novas sonoridades dividindo opiniões.

“Wait”, faixa que abre o disco é um pop competente e vigoroso, com boas guitarras, solos de teclados, influência progressiva  e os vocais do novato baixista.  É uma canção interessante que mescla bem os estilos explorados pelo grupo a partir de então;
“Your Love Stranger Than Mine”,   é um pop dançante, longe do estilo que consagrou o grupo, mas ainda suportável. Tem leve influência de Alan Parsons Project e os vocais ficam novamente a cargo de Colin. O convidado Mel Collins que participava do grupo desde 77 aparece pela primeira vez com seu solo de sax;
“Eye Of The Storm”  é o primeiro momento realmente progressivo do álbum. Uma faixa instrumental, comandada pelos teclados e flautas de Watkins, que assina sozinho a composição. Parece uma canção perdida do álbum “The Snowgoose”;
“Who We Are” é um ótimo tema progressivo e o segundo mais longo do disco. Nesta canção, se encontra tudo que se espera do Camel: Longa introdução instrumental com guitarra melódica a frente, a voz calma e encorpada de Latimer, flauta transversal, refrão com arranjos de vocais e ainda o luxuoso acompanhamento  da orquestra comandada por Simon Jeffes;
“Survival” é apenas uma  curta introdução da citada orquestra, sem a participação da banda;
“Hymn To Her”, embora  tenha figurado  no set list do grupo até sua ultima turnê, não pode ser considerado um tema  tipicamente  progressivo, mas uma balada muito bem construída, com arranjo de vozes , um belo solo de guitarra e a interpretação passional de Andrew e Colin. 
“Neon Magic” é um tema excessivamente pop e completamente descartável, salvando apenas uma ou outra passagem de teclados, o que é muito pouco pra uma banda do porte do Camel;
“Remote Romance” consegue ser ainda pior. Teclados datados e cafonas aliados a um  refrão pegajoso gritando o titulo da canção. Sinceramente horrível;
O clima melhora muito com “Ice”, que encerra o disco de maneira brilhante. Trata-se de uma peça instrumental e sinfônica com mais de 10 minutos, comandada pela guitarra melódica de Andrew. Esta canção pode ser considerada uma das melhores do estilo, com certeza, uma das 10 maiores composições de todo o universo progressivo. Segundo Latimer, sua inspiração para compor o tema veio quando assistiu um documentário com grandes icebergs solitários e imponentes flutuando pelo oceano.

Com toda certeza “I Can See House From Here”  não se compara aos trabalhos mais progressivo do grupo, mas oferece boa música de um modo geral. Durante muito tempo foi um trabalho obrigatório na coleção dos admiradores da banda , que viajavam ao som da suíte “Ice”.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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