Para os que respiram música assim como nós


Resenha: The Steve Howe Album (1979)

Álbum de Steve Howe

Acessos: 592


O melhor trabalho solo do guitarrista do Yes

Por: Márcio Chagas

03/06/2018

No ano de 1978 o Yes colocava no mercado o disco “Tormato”, seu até então mais fraco trabalho. O fato do grupo estar passando por situações conturbadas inegavelmente refletiu em sua música. O guitarrista Steve Howe havia estreado em carreira solo no ano de 1975 com “Beginnings”, e sentiu necessidade em dar continuidade a este seguimento, fosse por falta de estimulo dentro de seu grupo, fosse pela necessidade de usar composições de sua autoria que não se encaixariam dentro da proposta de sua banda;
Foi então que em 1979 o músico disponibilizou no mercado musical “The Steve Howe Album”, disco que até hoje é considerado um de seus melhores trabalhos pelos fãs do guitarrista. Realmente Howe tem muito a oferecer aos ouvintes em termos musicais. Apesar de ser guitarrista, o musico pode ser considerado o menos roqueiro dos integrantes do Yes. As influências de Howe vêm da música clássica renascentista, uma vez que foi grande estudioso deste período, tocando inclusive instrumentos característicos da época. Essa influência foi potencializada quando o jovem Steve Conheceu a técnica country de Chet Atkins, e a incorporou em seu estilo. Some isso a efervescência cultural dos anos 60 e temos um guitarrista com uma visão completamente diferente e peculiar de seu instrumento.

Quem ouve atentamente este álbum, pode perceber todas as influências de Steve Howe ao longo do disco, que abre com “Pennats”, tema  calcado em sua Lap Stel, aquela guitarra que fica sobre um cavalete, e o músico utiliza um tubo de slide para passear pelo braço do instrumento. Howe estava entusiasmado com o instrumento desde a gravação de “Relayer”, e segundo o próprio, foi a forma que encontrou para  solar de maneira mais grandiosa, uma vez que nunca dominou o uso da alavanca. O Guitarrista também cuidou do baixo, deixando a bateria a cargo de seu colega de grupo Alan White;
“Cactus Boogie” é um tema acústico, tocado apenas no violão, muito similar a “The Clap”, famoso momento solo presente em “The Yes Album”;
“All A Chord” é a primeira de duas únicas músicas  com vocal presentes no disco. Howe cuida das guitarras, baixos  e sintetizadores, deixando o piano para Patrick Moraz e a bateria a cargo de Bill Bruford seus ex colegas de Yes. O tema começa com um dedilhado de violão e vai crescendo conforme o desenrolar da canção. Os vocais são curtos e demoram a aparecer. Uma composição digna de figurar em qualquer trabalho do Yes.;
“Diary Of a Man Who Disapeared”  é um tema curto em que Steve aparece sozinho empunhando sua Stratocaster. O acompanhamento feito por bateria programada não prejudica o temo de modo algum;
“Look Over Your Shoulder” é uma canção com vocais de Claire Hammil, e é outro tema bem progressivo, cheio de nuances. As inserções de guitarras e violões são muito bem pensadas e arranjadas e os vocais femininos de Claire deixaram o tema mais melódico, como se fosse o cruzamento de Yes Com Renaissance. Ronnie Leahy cuida dos sons do Hammond e a bateria novamente é comandada por Alan White;
“Meadow Reag” é outro tema acústico na linha country que Howe tanto aprecia. O violão sempre foi um dos instrumentos preferidos do músico devido a seu interesse na técnica de Chet Atkins;
“The Continental” é um tema fortemente influenciado pelo country, porém sua construção é completamente diferente da faixa anterior, aqui Steve utiliza uma guitarra semi acústica para a execução da canção, e se fez acompanhar por um instrumento até então inédito em seus temas, o violino comandado por Graham Presker;
“Surface Tension” é uma música influenciada pela música clássica, no estilo “A Mood Of Day”. Aqui, howe aparece sozinho mais uma vez, empunhando apenas um violão espanhol acústico;
As duas ultimas faixas que fecham o trabalho “Double Rondo” e “Concert in D Menor” são bem similares. A primeira é uma composição grandiloquente, em que a  Fender Stratocaster de Howe aparece acompanhada por uma orquestra,  a segunda é uma canção mais  introspectiva, onde  a guitarra surge emoldurada  por instrumentos de corda. São temas que mostram a intimidade do músico com o universo clássico renascentista. 

“The Steve Howe Album”  é um trabalho que faz jus ao seu título, uma vez que podemos vislumbrar todas as facetas musicais do guitarrista. Um trabalho bem elaborado e diversificado, que embora possua temas similares a sua banda não se limita ao estilo denominado rock progressivo que o consagrou, , e nem poderia, afinal, não teria sentido steve lançar um disco musicalmente similar a sua banda.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.