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Resenha: Give My Regards To Broad Street (1984)

Álbum de Paul McCartney

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As músicas são boas, mas há algo estranho

Autor: André Luiz Paiz

11/05/2018

“Give My Regards to Broad Street” foi lançado por Paul em 1984 como álbum de suporte ao filme homônimo. Uma proposta não muito elogiada pela crítica. Primeiramente, o filme vale a pena ser assistido apenas nos tempos atuais, como uma relíquia mesmo, já que a história é sem sentido e pouco interessante. Segundo, porque Paul traz apenas três canções novas, sendo o restante releituras de clássicos dos Beatles, Wings e da sua carreira solo. Estaria Paul enfrentando um bloqueio criativo?

Rapidamente falando sobre o filme, ele conta a história do desaparecimento de umas gravações que seriam usadas em um novo álbum de Macca. O grande suspeito principal é um funcionário também desaparecido. Parece mais um videoclipe que segue a sequência do álbum do que qualquer outra coisa. Mas, como disse, vale mais hoje em dia para ver Paul, Linda e Ringo, que também participa do filme e do álbum.

Além de Ringo, o álbum é novamente produzido por George Martin e há a participação do grande John Paul Jones, de alguns membros do Toto e do magnífico David Gilmour na principal canção de divulgação do álbum, a ótima balada hit "No More Lonely Nights". Digo balada pois é a melhor versão, mas há vários outros remixes. Gilmour não faz nada espetacular, pois a canção não exige, mas é legal saber que está ali com sua guitarra.

Das demais canções inéditas, temos a fraquinha "No Values", que serviria somente para um lado B, e a ótima "Not Such A Bad Boy", com Paul fazendo rock como sabe fazer.

Sobre as releituras, algumas ficaram bem legais como: "So Bad", "Wanderlust" e "Ballroom Dancing". Já as canções dos Beatles, também não decepcionam, porém acho um pecado mexer com elas, até mesmo na contestada versão de “The Long and Winding Road” produzida por Phil Spector em “Let It Be”, que ganhou agora a visão de Paul e me faz ainda preferir a original.

O álbum anterior - “Pipes Of Peace” - já mostrava um certo desgaste criativo de Paul, o que viria a se confirmar aqui e principalmente em seu próximo álbum, o mediano “Press To Play”. Além disso, Paul começou a soar ainda mais pop, deixando um pouco do rock de lado, apesar de "Not Such A Bad Boy" ainda explorar esta faceta. Em contrapartida, ainda temos um grande músico e cantor executando suas canções com a maestria de sempre.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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