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Resenha: Thriller (1982)

Álbum de Michael Jackson

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Simplesmente o melhor disco de música pop do século XX

Por: Márcio Chagas

05/05/2018

A escalada de Michael Jackson a rei do pop começa com uma grande decepção. Isso mesmo, o cantor não se conformava em ter perdido o Grammy de melhor álbum por "Off The Wall" de 1979, seu lançamento anterior. Ele se sentiu injustiçado, achando que muito do que lhe acontecera tinha sido fruto de um racismo velado, pois a indústria fonográfica não colocaria em evidência um cantor negro.

Para virar o jogo, provar a todos que estavam enganados e que seu talento era muito maior que qualquer preconceito, Jackson resolveu criar um disco fantástico, na verdade, em sua cabeça, teria que ser uma obra-prima, onde cada canção brilhasse sozinha, e fosse um sucesso. Para essa ambiciosa empreitada, o cantor chamou novamente o produtor e arranjador Quince Jones, que havia trabalhado em seu disco anterior. Jones, além de um conceituado produtor, também era um exímio compositor e, em seu currículo havia trabalhos com jazzistas consagrados como Miles Davis e Duke Ellington. 

Os músicos também foram muito bem selecionados pela dupla, contando somente com profissionais do primeiro escalão. Gente do porte do tecladista Steve Porcaro e de seu irmão, o baterista Jeff Porcaro, ambos do grupo Toto, uma espécie de Roupa Nova americano. Para o baixo veio Louis Johnson, especialista em criar bases de jazz e soul music, tendo trabalhado com Herbie Hancock e Dave Cruisin. A maioria das guitarras ficou a cargo de Steve Lukater, também do grupo Toto e do mestre do funk/soul/jazz, Paul Jackson. Realmente é uma lista enorme de grandes músicos, que inclui até o percussionista brasileiro Paulinho da Costa.

As canções também foram selecionadas com esmero e perfeccionismo por parte da dupla Jackson e Jones. Foram compostas cerca de 30 canções para serem selecionadas as nove melhores e mais completas na visão dos idealizadores. Michael compôs quatro delas, a disco-funk "Wanna Be StartinSomething", o rockão "Beat It" e as baladas "Billie Jean" e "The Girl Is Mine". As demais canções foram compostas por Quince Jones e o tecladista TadTemperton inclusive o Hit "Thriller". Steve Porcaro trouxe a obscura e introspectiva "Human Nature". Regravada por músicos que vão do pop ao jazz, essa canção quase ficou de fora do álbum, e reza a lenda, foi a última a ser incluída

As gravações foram marcadas por muita discussão e brigas entre Michel Jackson e Quince Jones. Cada um queria fazer um trabalho mais perfeito e tinha uma concepção diferente de perfeição, o que acabou desgastando muito a relação dos dois. Mesmo assim, as gravações seguiram e a cada faixa gravada, iam surgindo novas idéias e participações. Em "The Girl Is Mine"foi chamado o eterno Beatle Paul McCartney para fazer um dueto com Michael. A parte falada e sombria do final "Thriller", foi gravada pelo cultuado ator Vincent Price e  o solo de guitarra de "Beat It", foi chamado o então maior e melhor guitarrista do mundo: Eddie Van Halen, que revolucionava o conceito de seu instrumento no grupo que levava seu sobrenome.

Tudo parecia perfeito. Antes mesmo de ser lançado, Michael e Quince, sabiam que tinham feito um álbum pop a frente de seu tempo, pois ninguém nunca havia misturado pop, soul, funk, rhythm and blues e rock em um único e estrelar trabalho. Mas nem mesmo eles estavam esperando o que viria a seguir.

"Thriller" foi lançado em novembro de 1982, e continua sendo o álbum mais vendido de todos os tempos. Nada menos que sete das nove canções foram lançadas como singles, e todas elas figuraram no top 10 da Bilboard. Michael Jackson não havia misturado só os estilos musicais, ele criou todo um conceito visual ao unir música e dança, algo que ninguém jamais havia feito até então. O videoclipe começava a ganhar espaço no mercado, e muitos artistas o usavam como promoção de suas músicas, porém, era algo extremamente simples. Jackson com o clipe de "Thriller" revolucionou também o modo de usar tal ferramenta, dando-lhe ares cinematográficos, com locações bem trabalhadas, milhares de figurantes afiados e sua dança contagiante. Tudo marcado por um sincronismo impressionante. Claro, Michael ganhou a alcunha de rei do pop, sendo disputado e reverenciado por fãs em todo mundo.

Mas tenho certeza que a sensação de vitória para o cantor e dançarino só veio mesmo no ano seguinte, quando "Thriller"arrebatou não um, mas incríveis sete prêmios Grammy. A partir desse ponto, Michael Jackson seguiu sua trajetória única rumo ao estrelato e não parou mais. As inúmeras polêmicas em torno de sua vida pessoal ofuscaria sua carreira a partir dos anos 90, mas ainda assim, o músico conseguia fazer pop com qualidade e inovação, mesmo não conseguindo, nem de longe repetir o mega sucesso de "Thriller".

Ainda nos dias de hoje, o álbum é referência quando se fala em música pop de qualidade e produção esmerada. Um marco em toda a indústria fonográfica mundial.

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