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Resenha: Marsbéli Krónikák (The Martian Chronicles) (1984)

Álbum de Solaris

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Composições sólidas, ótimas atuações, versatilidade e coerência musical.

Por: Tiago Meneses

25/04/2018

Solaris também faz parte de uma das bandas que mostraram que os anos 80 embora não tenha sido tão produtivo quanto os 70 em relação ao rock progressivo (isso na visão dos mais puristas, grupo do qual eu não faço parte), também tiveram discos excelentes. Apesar de ter sido formada no início daquela década por jovens amigos de escola da cidade de Budapeste, na Hungria, o nome que serviu de inspiração para o grupo veio da Polônia, mais precisamente do romance de ficção científica, Solaris, escrito por Stanislaw Leem no ano de 1961. 

Eu sempre acreditei que um dos aspectos mais importantes de um trabalho musical é a versatilidade, confesso que às vezes me canso de ouvir bandas que tem um som de variação que mais parece um metrônomo e todas as suas canções soam como se estivessem clonando a si mesmo. Solaris é o oposto, mas o mais importante é que eles não são apenas versáteis, mas também coerente e sua música flui perfeitamente, algo que aumenta ainda mais o seu mérito.

Seu álbum de estreia, Marsbéli Krónikák é um exemplo do que é ser progressivo, mesmo quando eles se encaixam mais confortavelmente dentro da linha sinfônica, o álbum nos apresenta uma mistura incrivelmente bonita e fluida de diversos gêneros que vão do já mencionado sinfônico, mas passando pelo folk, eletrônico e sonoridades espaciais e psicodélicas, mas sem deixar de tocar em meio a tudo isso o velho rock and roll.

Cada membro da banda desempenha o seu papel com uma enorme destreza. Mas dois são os que puxam a banda e se destacam pela maneira como juntos conseguem desempenhar uma sonoridade única, Attila Kollar (flauta, sintetizadores, efeitos de teclado, percussão, vocais) e Robert Erdesz (piano, órgão, sintetizador, efeitos de teclado). Mas uma boa menção também é a das belíssimas guitarras de Istvan Czigman. 

Marsbéli Krónikák significa crônicas marcianas, é um álbum conceitual baseado no romance de contos e de mesmo nome escrito por Ray Bradbury. O fio condutor da obra é sobre a chegada do homem a Marte e da colonização do planeta pela espécie humana. O livro que pode ser visto como um romance fragmentado trata-se de uma  história ambientada entre os anos de 1999 até 2026.

Eu particularmente não enxergo que este seja um disco do tipo que seria normal fazer um faixa a faixa. A obra deve ser ouvida sempre como um todo, se o ouvinte não tem tempo de adentrar por completo nela, deixe-a de lado até o momento que poderá tirar cerca de 54:00 do seu tempo pra isso. 

Solaris aqui nos presenteia com um álbum repleto de composições sólidas, atuações impecáveis de todos os seus músicos, inclusive os convidados, versatilidade e coerência. Não chegaria a dizer que estamos diante de uma obra-prima, mas com certeza de um disco deliciosamente maravilhoso de se ouvir.

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