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Resenha: Bad Company (1974)

Álbum de Bad Company

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Um disco de estreia irrepreensível!

Autor: Márcio Chagas

31/03/2018

Geralmente o álbum de estreia de um grupo é bom. Na grande maioria das vezes, apenas bom. Isso se deve porque os músicos ainda não estão suficientemente entrosados uns com os outros e nem mesmo possuem uma grande experiência de estúdio. Mas claro, toda regra tem exceção, principalmente se o grupo for formado por grandes músicos vindos de bandas de sucesso. E foi o que aconteceu com os ingleses do Bad Company, que há quarenta anos lançaram o mais impressionante  álbum de estréia de todo o rock.

No fim do ano de 73 o vocalista e multi-instrumentista Paul Rodgers havia encerrado os trabalhos do Free e partido para formar um novo grupo. O músico levou consigo o baterista de seu ex-grupo, a máquina demolidora Simon Kirke.  Para a guitarra foi recrutado Mick Ralphs, recém saído do Mott  the Hoople, e pro baixo, veio Boz Burrell, que cuidava das quatro cordas do grupo King Crimson. Quer dizer, o Bad Company já era considerado um super grupo, muito antes dessa palavra ser usada para nomear os grupos formados por grandes músicos conhecidos.  Com o pedigree do quarteto, era de se esperar que o primeiro trabalho a ser gravado fosse muito bom, porém o álbum de estréia que levava o nome do grupo, ou simplesmente "Badco" como ficou conhecido devido a sua capa simplista, superou até as expectativas mais otimistas.  

"Can´t  Get Enough" abre o disco com com seu riff de guitarra fazendo contraponto com uma bateria pesada e "na cara", com Kirke atacando os pratos sem dó.  Rodgers se mostrava um cantor mais maduro que nos tempos do Free, sabendo dosar bem a notas mais altas com timbres médios. "Rock Steady", com seu refrão contagiante e eu pé no pop, mostra a excelência do vocalista Rodgers de criar canções de qualidade, mas que grudam na cabeça do ouvinte. E Simon Kirke continua dando aula de bateria. "Ready For Love" é uma balada criada pelo guitarrista Ralphs que se encaixou perfeitamente na voz do vocalista. "Don´t let Me Down", tem influência do blues, e é uma das faixas com os vocais mais passionais já gravadas em todo o universo do rock. 

"Bad Company" abre o "lado 2" do antigo vinil, com o vocalista arrasando no piano e nos vocais. O baixo bem timbrado de Burrel dá um colorido a mais na canção. "The Way I Choose" é outra canção que demonstra o poder do vocalista na interpretação dos temas. A voz de Paul Rodgers dá o tom da canção, tamanha a entrega do músico durante sua execução. "Moving On" é um rock energético sustentado pela cozinha baixo/bateria, provando que o peso do rock vem mesmo dos instrumentos de base. O álbum encerra com "Seagull", composição de Rodgers/Ralphs, um tema simples, calcado em belos violões. Um jeito todo especial de encerrar um grande álbum.

Claro que quem lança um disco de estreia dessa magnitude tem um problema pro resto da vida. De fato, o grupo, apesar de seu grande sucesso, nunca superou seu álbum de estreia, que chegou a receber o disco de platina quíntuplo! Também pudera, "Bad Company", o álbum, ainda nos dias de hoje, é tocado na integra pelo grupo, nas suas esporádica reuniões, um verdadeiro clássico do rock mundial.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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