Para os que respiram música assim como nós


Resenha: 90125 (1983)

Álbum de Yes

Acessos: 872


A obra que reciclou o Yes

Autor: Marcel Z. Dio

26/03/2018

Com a dissolução do Yes, após o excelente Drama (1980) Chris Squire buscou novos caminhos ao trabalhar com o guitarrista Trevor Rabin na criação da banda Cinema, alem de recrutar o veterano Tony Kaye para os teclados.
Com tudo certo e as bases gravadas, eis que o velho amigo Jon Anderson aparece no estúdio e gosta das gravações, convencendo Squire a gravar sob o antigo nome.
Em 1983 para choque dos puristas do rock progressivo, 90125 é lançado, tornando-se um sucesso mundial.
O nome esquisito do álbum, nada mais é que o numero do lançamento no catálogo da Atlantic. Quem possui o disco pode matar a curiosidade e conferir a numeração.

O som foi totalmente reformulado com uma pegada pop/prog, não havia sentido para faixas de 10 ou 15 minutos em pleno anos oitenta.
A complexidade acabou dando espaço a uma base simples, com  ênfase na guitarra, novidade que deu a luz a "Owner of a Lonely Heart", um clássico instantâneo e também o maior sucesso comercial do Yes.  A marcante linha de baixo foi criada por Trevor Rabin, assim como outras de 90125.

"Hold On" é um ótimo hard rock na linha AOR, com bons licks de guitarra.
"It Can Happen" tem sua introdução influenciada pela música oriental, com as guitarras sintetizadas emulando o som de cítara, encontrando seu caminho no pop novamente.

A quebradeira inicial de "Changes" engana, é uma questão de analisar os tempos do riff (pois são apenas 4 notas) não é tão complicado quanto parece, o segredo esta no tempo.
A parte principal é cantada por Trevor  e no refrão apoiada por Jon Anderson. 

Na instrumental e progressiva "Cinema", o baixo pesado e cheio de efeitos, retoma os bons tempos. Chris Squire deixou o Rickenbacker de lado e investiu num Tobias Verde de 5 cordas. 

As modulações e brincadeiras vocais, são marcas registradas no Yes, via de regra funcionando como instrumento. E na maravilhosa "Leave It"  a suave interação vocal em conjunto com os teclados na parte do refrão, dão um sabor especial a canção.
"Our Song" é a cara dessa fase compacta, com Trevor Rabin dando um frescor mais rocker ao grupo. Enquanto "City of Love"   surpreende pelo peso.

A tônica da balada "Hearts" são os teclados e a bateria. Tony Kaye nem de longe possui a bagagem e a técnica de um Rick Wackeman, entretanto fez um ótimo trabalho, emulando vários timbres em "Hearts", encerrando bem essa nova etapa do Yes.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: