Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Midnight Mushrumps (1974)

Álbum de Gryphon

Acessos: 72


Parada obrigatória para os aficionados na cena folk progressiva inglesa

Por: Tiago Meneses

20/07/2021

Se no primeiro disco, a banda apresentou uma paixão por criar música folk medieval, isso foi corrompido pelo mundo exponencialmente explosivo do rock progressivo em Midnight Mushrumps. Com esse segundo disco, eles acabaram chamando a atenção de ninguém menos que Steve Howe, que simplesmente se apaixonou pela faixa título e os seus mais de dezenove minutos de duração, oferecendo a eles o cobiçado lugar de banda de abertura nos shows do Yes na turnê da banda de 1975, fazendo com que a banda ganhasse assim um público muito maior.  

Midnight Mushrumps é um grande salto exponencial em sofisticação para os incautos da banda. Se pegarmos o fato de que em seu disco de estreia encontramos uma coleção de canções folclóricas inglesas de linhas medievais tocadas em um estilo de período genuíno completo com instrumentação autêntica, o que encontramos aqui é um aumento no seu processo de polinização cruzado com aspectos de rock progressivo. Os instrumentos folclóricos medievais ainda estão presente no disco, porém, orientados para sensibilidades muito mais progressivas.  

O disco começa por meio da faixa título. Uma excelente mistura entre sons celtas, música clássica e rock progressivo em uma peça épica com mais de dezenove minutos de duração. Esse é daqueles exemplos em que a banda cria uma música muito grande, mas em momento algum a arrastando, usando perfeitamente o seu tamanho para entregar para o ouvinte algo muito dinâmico de grande diversidade. Por volta dos sete minutos a faixa sofre uma queda que a leva para um movimento baseado em um rock progressivo de atmosfera suave. Por volta dos oito minutos e meio o violão é quem assume o controle. Ela vai crescendo de forma gradativa, se tornando dramática, poderosa e sinfônica, até atingir um pico onde regressará a um som em que o violão domina. Depois quem assume são os teclados. A ótima mistura entre o rock e a música clássica é expandida no próximo movimento. A música conforme vai avançando vai nos mostrando o quanto a banda criou algo excepcional.  

“The Ploughboy's Dream” a princípio soa como uma peça meio estranha, mas ao mesmo tempo intrigante entre uma música tradicional e rock progressivo. Depois percebemos que estamos em meio a um clássico exemplo de folk progressivo. Quando começa a agitar mais à frente é onde de fato os elementos progressivos assumem o comando. “The Last Flash Of Gaberdine Tailor” é uma peça instrumental de rock progressivo com algumas boas inclinações clássicas. O clima celta atingido aqui é muito bom. Às vezes é possível lembrar do lado mais fantasioso e inspirado da banda Klaatu. É possível notar alguns indícios até mesmo de Frank Zappa.  

“Gulland Rock” é uma peça em que grande parte dos domínios estão nos teclados, porém, mais adiante o vilão e flauta incrementam o arranjo. Mais uma faixa em que a influência clássica se faz bastante presente. “Dubbel Dutch” oferece algo um pouco mais complexo. Possui um arranjo sinfônico e envolvente, além de uma boa sinergia entre os instrumentos de corda e embelezamento percussivos. “Ethelion” é a peça que encerra o disco. Começa com algumas risadas e sons de fundo junto a alguns toques de baixo e uma bateria que apenas marca o momento. Encontramos aqui uma peça de folk rock com dominação clássica. Após uma seção de percussão, a banda vai entrando cada vez mais em uma atmosfera pastoral e que vai crescendo mais cada vez que parece que são acrescidos mais instrumentos. Possui no final um movimento rápido e orientado para o clássico que serve para fechar o disco muito bem.  

Midnight Mushrumps é um disco muito excitante. Conforme o álbum avança, parece que as faixas ficam mais audaciosas, com seus compassos ousados e mudanças de andamento. A banda enfrenta esses desafios com graça e a estranha justaposição de instrumentação folk autêntica com estilos de composição de rock progressivo, tornando isso totalmente único no mundo musical, livrando a banda de qualquer tipo de comparação com Jethro Tull ou Comus, outras duas bandas inglesas da época.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.