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Resenha: The Enigma Birth (2021)

Álbum de Timo Tolkki's Avalon

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Será o fim do projeto Avalon?

Por: André Luiz Paiz

19/07/2021

Certamente sim e permita-me elaborar melhor. Primeiro, porque temos aqui o quarto disco de um contrato de três álbuns. Sim, a intenção era lançar uma trilogia com um propósito de metal ópera, com uma distopia como tema, aquelas coisas todas. Mas, como os dois primeiros discos não arrecadaram tanto e o terceiro foi uma reviravolta, por que não tentar arrecadar um pouco mais com um quarto disco? E segundo, porque Timo Tolkki já começou a demonstrar publicamente a sua insatisfação com o controle da Frontiers sobre o projeto. Para expandir um pouco mais, farei um novo parágrafo.

Timo Tolkki estava adentrando ao mundo de crowdfunding quando foi convidado pela Frontiers para escrever uma metal ópera em um contrato de três álbuns. Timo prontamente desfez o projeto solo e aceitou, já que teria recursos para criar e convidar grandes vocalistas da cena, e assim o fez. "The Land of New Hope" (2013) saiu recheado de clichês e alguns bons momentos, mas não causou tanto espanto. Depois, a coisa complicou de vez com "Angels of the Apocalypse" (2014), um disco sem força e brilho, causando grandes problemas para Tolkki por conta da rejeição, tanto que "Return to Eden" demorou cinco anos para sair. Considerando que a proposta era a de se lançar um disco por ano, algo aconteceu aí, com Timo se afastando por um tempo e alegando problemas pessoais. O disco deu uma levantada no projeto e é facilmente o melhor dos três. Porém, em seu lançamento, Tolkki deu poucos detalhes sobre o que realmente tinha mudado neste terceiro trabalho, apenas dizendo que tinha recebido ajuda da Frontiers e do produtor Aldo Lonobile. Mas, na verdade, o que descobrimos mais recentemente foi que a Frontiers tomou a dianteira para tentar reaver o investimento, praticamente colocando rédeas no guitarrista. Tolkki passou a não mais produzir sozinho o trabalho e apenas colaborar como compositor, dividindo até mesmo algumas linhas e solos de guitarra.

Eis que chegamos a "The Enigma Birth", mais um ótimo disco. Não supera seu antecessor, mas ainda soa melhor que os primeiros. Porém, com Timo em um grau maior de insatisfação, renegando praticamente por completo o projeto que leva o seu nome. Disse ter colaborado com 5 músicas, algumas linhas de guitarra e a Frontiers e Aldo cuidaram do restante, inserindo inclusive convidados do interesse da gravadora, visando publicidade. Com seu orgulho posto à prova, Timo disse publicamente não gostar de ser controlado e que confia plenamente em suas habilidades de décadas atuando como produtor. Então, a minha resposta para a pergunta do título é: sim, acredito que seja o fim do projeto Avalon. Timo em breve lançará um disco solo, chamado "Union Magnética", e seguirá em frente. É claro que, assim como o Avantasia e se o projeto tivesse estourado, mais discos seriam lançados.

A melhor faixa do disco é "Master Of Hell", composta por Timo e cantada pelo "Bruce Dickinson brasileiro", Raphael Mendes. Uma música com ótimo peso e melodia. Das que puxam a faceta Strato, "Enigma Birth", com Pellek, funciona bem como faixa de abertura. Temos também "Beauty and War", outra com Raphael Mendes e que parece ter saído do disco "Elements", além de "Without Fear", com elementos de sobra da banda clássica de Timo e cantada por Fabio Lione. Eu não consegui as informações dos compositores das demais faixas, mas me arrisco a dizer que esta é de Tolkki, sem dúvida alguma. "Time", cantada por Marina La Torraca, também é provável que sim.
O disco cai um pouco quando surgem as baladas. "Memories", com Caterina Nix, Brittney Slayes é muito cansativa, assim como "Another Day", esta também cantada por La Torraca, e "The Fire and the Sinner", por Jake E e Brittney Slayes. "Truth", em contrapartida, tem uma sonoridade meio "Eagleheart" e uma bela melodia. Aqui sim Jake E merece destaque. Temos também "Dreaming", um petardo mais denso com bela interpretação de Fabio Lione, e "I Just Collapse", que traz Caterina Nix meio no estilão Chaos Magic, projeto de Timo Tolkki com a vocalista e que não me impressionou muito. Faltou falar sobre "Beautiful Lie", com James LaBrie meio perdido ali em uma faixa que não tem nada a ver com as demais, embora me agrade bastante. Só a mim, pois Timo mesmo não curtiu. Ela me lembra um pouco o James na fase Mullmuzzler.

A proposta deste quarto trabalho do Avalon ficou bem clara: seguir a fórmula do antecessor e manter a aceitação. Eu acho que dará certo, pois o disco traz todos os elementos que rodeiam o nome Timo Tolkki e mescla conteúdo novo de maneira interessante.  E a produção está novamente excelente. Então, se você é fã do estilão power metal que fez o Stratovarius explodir, não se decepcionará.

E que Timo Tolkki tenha sucesso em qualquer projeto que decidir conduzir. Serei eternamente grato pelos discos do Stratovarius que ouvi incansavelmente nos anos 90 e 2000.

Tracklist:

1.	"The Enigma Birth"	PelleK	4:33
2.	"I Just Collapse"	Caterina Nix	6:13
3.	"Memories"	Nix, Brittney Slayes	5:43
4.	"Master of Hell"	Raphael Mendes	3:51
5.	"Beautiful Lie"	James LaBrie	3:51
6.	"Truth"	Jake E	3:48
7.	"Another Day"	Marina La Torraca	5:04
8.	"Beauty and War"	Mendes	5:17
9.	"Dreaming"	Fabio Lione	6:30
10.	"The Fire and the Sinner"	E, Slayes	3:05
11.	"Time"	Torraca	5:58
12.	"Without Fear"	Lione	4:50

Banda:

Timo Tolkki (ex-Stratovarius, Symfonia, Revolution Renaissance) – guitars
Aldo Lonobile (Secret Sphere) – guitars
Federico Maraucci – additional guitars
Andrea Arcangeli (Concept, DGM) – bass
Antonio Agate (Secret Sphere) – keyboards and orchestrations
Marco Lazzarini (Secret Sphere) – drums

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