Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Riddles, Ruins & Revelations (2021)

Álbum de Sirenia

Acessos: 44


Uma sirene interminável

Por: Marcel Z. Dio

16/07/2021

Aleatoriamente escolhi um álbum de metal gótico sinfônico, até por conhecer pouco do estilo e possuir apenas o aclamado Fallen do Evanescence em minha coleção, também dois discos do After Forever e acha-los uma grande porcaria.
Insistir nisso pode parecer loucura, mas autoflagelo não é crime por enquanto. É, acho que não. 

Então encontrei o Sirenia e sua capa de fada gótica dançando com uma caveira, e que bela ilustração.
Ouvindo a nova obra percebi elementos do industrial e  produção excelente, também um lance pop disfarçado em intenções do metal. 
Algumas guitarras são realmente pesadas pelos riffs e  barulhinhos infernais de teclados e outros aparatos eletrônicos enquanto a coisa rola, realmente irritante até a segunda faixa.

Com a firmeza de um guerreiro do gelo mantenho meu coração bombando no sangue caliente e a atenção redobrada para constatar algo que não seja pomposo como filme moderno de vampiro. 
Não posso dizer que a mulher canta mal, (jamais) ademais, o conjunto da obra começa a dar pistas de canções que parecem repetições. Como ter uma cantora lírica fazendo lual com um monte de marmanjos apoderados pelo espirito de Zakk Wylde, madre santa, eita negócio sem graça. 

Já estou na metade do sofrimento e essa bela mulher entrando em minha mente com sua voz, parece que diz : - ei não perca mais tempo com isso e vá ler um livro. 
Não interessa !, promessa é promessa e não pode ser quebrada. Agora sou castigado pelas mesmas linhas vocais e uma reincidência de guitarras, com o baixo tentando sobreviver. São sussurros operísticos e  camadas de teclado no modo strings o tempo todo.
Não posso esquecer dos duetos com vozes masculinas, que ajudam o disco a ser a mesma coisa, ou seja, um alien inconveniente.

O resumo da ópera do malando são guitarras debulhando, uma dona cujo a beleza não supera a chatice e elementos mais medonhos da música industrial. 
A melhor atitude é um cover de Voyage Voyage (Desirelles) aquela do : "Dá um pulo vai um". Falando nisso, esse grupo deveria dar um pulo no thrash metal e esquecer um pouco a grandiloquência. 
Vejam, o mundo empesteou de cantoras góticas, assim como estamos empesteados de sertanejos que cantam com um ovo na boca, ambos sem identidades em sua maioria. Não sou contra o som gótico desde que não seja feito para amostra de genialidade musical de conservatório. Posso ouvir Draconian com a espetacular Stellar Tombs e sentir que existe a música real e a que serve só para captar uma moda que deveria ter um ciclo final. Ah, sim vão falar que Draconian é doom metal, eu suporto.

Emmanuelle Zoldan foi chamada recentemente, tudo bem, mas suas concorrentes são iguais caminhão de melancia, todas iguais, e nem é preciso ser São Tomé, nesse caso ouvir para crer.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.