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Resenha: Face The Heat (1993)

Álbum de Scorpions

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Entre o metal e o hard rock

Por: Fábio Arthur

15/07/2021

Quando se ouve a faixa de abertura de "Face the Heat", de 1993, dos Scorpions, e a canção "Alien Nation", a impressão que se tem é de que o grupo traria um material mais Heavy como nos anos setenta e/ou fariam algo na linha de "Crazy World", mas o que se viu foi a medida entre dois polos. 

Bruce Fairbain elaborou a produção, da qual eu cito que não surtiu como no disco antecessor, deixando o som meio sem definição em vários elementos. Mas de fato, ruim não é. Lançado através da Mercury com quase 1 hora de duração, principalmente no CD, que chega com várias faixas bônus. A minha versão de audição seria o vinil de época, e digo que ele soa ainda mais precário em produção, confundindo nos solos pelos elementos envolvidos com baterias pesadas e baixo. 

"No Pain, No Gain" mostra aquele Hard do bom, com elementos típicos dos alemães. Ela flui como uma letra básica, com riffs interessantes, vocais ótimos, e um refrão excelente, mas ao mesmo tempo simples e grudento, no bom sentido da palavra. 

"Nightmare Avenue" chega como aquelas faixas rápidas da banda, mas se perde em meio a um amontoado de riffs e levadas de bateria, e os vocais de apoio dando aquele teor brega e que não traz nada de diferente. "Woman" é uma balada diferente, com uma orquestração direcionada e um vocal em altos tons de Klaus que chega como uma fúria musical e empolga pela beleza dos arranjos com voz. "Taxman Woman" seria uma das canções mais agitadas que soam bem, com uma letra interessante até, e uma estrutura mais fértil. 

"Lonely Nights", tenta ser como "Still Loving You", e "Believe in Love" é sem novidades e movida a um momento catatônico. Infelizmente o álbum no CD remete em no mínimo 5 baladas, o que deixa o ouvinte agoniado se não for fã do gênero. 

O que de fato atrapalha no álbum, além da produção, o disco como um todo perde algo e mostra características sem um elemento eficaz, como em "Unholy Alliance", que parece um divisor dentro do mesmo cast de faixas, "moderninha" demais. Outro fator seria surgir com elementos de outrora, tentando um sucesso radiofônico, como "Under the Same Sun", com intenção de se realizar uma nova "Wind of Change". E quando se ouve "Hate to be Nice", o material chega a doer de tanto refrão estilo banda de 1 hit, típica de anos oitenta; uma faixa desperdiçada e sem nenhum atrativo. E se não bastasse, "Ship of Fools" começa como um Hard bom de ouvir, mas ela cai em um abismo sonoro, com aqueles vocais dobrados, sem uma dose de autenticidade, e sim uma repetição enjoativa. Esses fatores surgem como também um amontoado de canções e, se o disco fosse encurtado seria ótimo, ou seja, metade dele sofre de uma posição mais correta. O elevado deixa de soar considerável e mostra uma carência de ideias que deixam o disco bem abaixo da expectativa. 

Uma parte notada nesse disco seriam os gritos de Klaus em várias faixas. As passagens com drives e seus afins soam bem, mas ao mesmo tempo repetitivas, talvez por serem utilizadas em inúmeras canções. O disco ainda traz o novo baixista, Ralf Rieckermann, e a última empreitada de Hermna Harebell na bateria, que aqui, aliás, soa muito bem. 

Com uma artwork bem chatinha e sem graça, remetendo ao título, mas que não funciona como Scorpions, também não empolga muito.

São anos tentando ouvir esse álbum, mas o mesmo cai no desastre sem fim. Nem os vídeos para MTV de época salvam e nem mesmo o fato de serem os Scorpions. Não adianta, a coisa fica realmente abaixo da média.

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