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Resenha: Chimera (1974)

Álbum de Duncan Mackay

Acessos: 64


Execuções complexas de teclados e mudanças constantes de andamentos

Por: Tiago Meneses

13/07/2021

Quando falamos em rock progressivo 70’s, o nome de Duncan Mackay é sempre bastante esquecido, porém, basta ouvir um disco como Chimera e perceber o quanto essa impopularidade pode ser vista como algo injusto, afinal, trata-se de um trabalho musicalmente impressionante. O disco mostra uma incrível exibição de teclados de todos os tipos, piano, órgão, hammond B3, piano elétrico, clavicórdio, sintetizadores e etc, sendo todos eles elevados ao máximo de suas possibilidades por Mackay. Além de excelente música, vale ressaltar que Duncan possui uma voz muito boa. Também participam o disco o seu irmão Gordon, que adiciona mais alguns pianos e violino, além de Mike Gray na bateria. Isso mesmo, o disco não possui guitarra ou baixo.  

“Morpheus” é a faixa que dá início ao disco. Um nome desse pode até sugerir que se trata de uma faixa de atmosfera onírica, mas o que Mackay entrega aqui é uma canção frenética com um grande número de mudanças de estilo, fazendo com que ouvinte se depare com algo que vai desde um rock progressivo sinfônico primitivo até algo mais agressivo, lembrando Keith Emerson em seus momentos mais pomposos. Os vocais são bons e a bateria excelente. Uma peça muito sólida do começo ao fim e que já mostra o quão talentoso é Mackay.  

“12 Tone Nostalgia” tem um começo cheio de drama, além de possuir uma atmosfera sombria. Mesmo quando Mackay explora as teclas em todas as suas possibilidades, a atmosfera quase psicodélica proporcionada pelo órgão adiciona emoção e sentimento. Então que de sombria e nostálgica, a música muda para uma linha mais bombástica e imprevisível. É possível notar uma inspiração em Bach, além de novamente perceber acenos a Keith Emerson. Esse é aquele tipo de música que algumas pessoas vão dizer que se trata algo exagerado e com excesso de pompa, porém, é exatamente isso que me faz gostar tanto do rock progressivo.  

“Song For Witches” é a peça que encerra o disco com os seus quase vinte minutos. Já o no começo é possível perceber uma clara herança psicodélica e ar enigmático. Mackay e banda tocam os instrumentos como se estivessem no final dos anos sessenta, até que quando o ouvinte menos espera, ele é arremessado para dentro de uma seção frenética de jazz, onde é possível perceber uma leve influência em Mahavishnu Orchestra, porém, isso não chega a durar muito tempo e Mackay retorna a uma sonoridade complexa de sons e influências que entre tantos caminhos, passeiam desde o clássico, barroco e gótico até algo que poderia ter sido lançado pela The Nice. Uma incrível demonstração do quão versátil é o som encontrado nesse disco.  

Chimera só não é indicado para pessoas que apesar de gostar de rock progressivo, tem ressalvas em relação ao seu lado mais bombástico. É nítido o quanto Mackay possui influências em Rick Wakeman e principalmente em Keith Emerson, com arpejos rápidos, execuções complexas de teclados e mudanças constantes de andamento. Um disco de rock progressivo sinfônico clássico com peças longas e extensas.

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