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Resenha: Reminiscencias (1986)

Álbum de Iconoclasta

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Rock progressivo sinfônico com alguns tons jazzísticos e folk Made in Mexico

Por: Tiago Meneses

12/07/2021

Iconoclasta certamente é uma das bandas mais representativas da cena de rock progressivo mexicano, sendo uma das pioneiras, ou mesmo talvez a primeira a envolver o ouvinte em uma mistura de imaginação musical, passagens muito criativas onde podemos ouvir desde tons jazzísticos e sonoridades folk até linhas de rock sinfônico. Mesmo que a cena mexicana de rock progressivo não seja tão popular, Iconoclasta é uma das bandas mais conhecidas, isso muito graças a discos como esse.  

Reminiscencias é o segundo disco do grupo e onde podemos ouvir muito bem as técnicas e peculiaridades da banda, entregando às vezes alguns arranjos extremamente bonitos e agradáveis. Apesar de não ter ouvido nem metade dos discos dessa banda, dificilmente esse não figure entre um dos seus melhores feitos. Reminiscencias é um disco conceitual que expressa uma postura totalmente antinuclear, antiguerra e pacifista.  

“La gestación de nuestro mundo” é a faixa que inicia o disco. Trata-se de um belíssimo cartão de entrada repleto de sons de piano e sintetizadores. Há também a utilização de instrumentos como gongo e alguns sinos lhe dando um belo acabamento. “El hombre sobre la tierra” é mais uma ótima peça. Essa música em particular mistura muito bem o jazz folk com passagens sinfônicas, fazendo com que eu me lembre de algo na linha de Focus IV. Aqui os instrumentos mais tradicionais como guitarra e baixo estão em maior evidência. Uma belíssima faixa de ritmo lento e alguns sons ambientes muito bons.  

“La era de los metabolismos tecnológicos” é uma música simplesmente incrível e que coloca um fervor no disco que até então não havia acontecido. É possível notar algumas influências em Emerson Lake & Palmer, as mudanças de andamento também são muito interessantes. A guitarra possui uma sonoridade muito particular, linhas de baixo pulsantes e certamente o melhor trabalho de bateria do disco. O coral com vozes masculinas e femininas é apenas a cereja de um bolo que por si só já estava saboroso.  

“Reminiscencias de un mondo sin futuro” é o grande épico de mais de dezesseis minutos e que encerra de forma incrível o álbum. Provavelmente tenha sido o primeiro épico feito por uma banda mexicana – mas mesmo que não seja o primeiro, eu o considero o melhor. Todas as características musicais encontradas no disco estão reunidas aqui, divididas em sete capítulos. Musicalmente possui um verdadeiro mistifório de sons e texturas, mas que em momento algum se mostra mal direcionado ou incoerente, cada passo é friamente calculado. Um final de disco por meio de uma verdadeira obra-prima.  

Por algum motivo, antes de ouvir esse disco pela primeira vez, eu confesso que não esperava tanto quanto o que encontrei ele. Considero um excelente material para qualquer fã de rock progressivo sinfônico e que também carrega alguns tons jazzísticos. Reminiscencias com certeza é um dos melhores discos de rock progressivo desenvolvido em terras mexicanas.

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