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Resenha: Testimony (2003)

Álbum de Neal Morse

Acessos: 57


Composição muito inspirada e emocional capturada de forma adequada e habilidosa

Por: Tiago Meneses

11/07/2021

Testimony foi o primeiro disco de Neal Morse depois da sua saída do Spock’s Beard, sendo um documentário musical de mais de duas horas de músicas que retratam a conversão de Morse ao cristianismo. Um relato altamente pessoal de uma grande jornada para encontrar a fé. Uma visão acerca de Morse mostrando como ele se converteu, os momentos que o decepcionaram e os momentos que foram cruciais para ele, mas também, momentos que foram iluminadores, momentos que ele nunca vai esquecer. Ainda que existam alguns trechos em que Morse parece querer pregar a palavra, não podemos fechar os olhos para o fato de que estamos diante de um excelente disco de rock progressivo. As melodias são bastante fortes e diversificadas e há muitos intervalos instrumentais soberbos.  

Como já dito, são mais de suas horas de músicas dividas em dois CDs e em cinco partes, onde o conceito gira em torno da vida de Morse antes e depois de sua realização espiritual. Embora longo, a música nunca se torna repetitiva, permanecendo sempre no melhor estilo Morse de ser, complexa, mas simples, além de dramática e elegante. Quando falo de Morse, falo de um artista que dá prazer de ouvir. Sua habilidade de derramar a própria alma na música que faz, suas letras espirituais edificantes – embora nesse caso desagrade alguns -, seu poder de criar melodias poderosas e bem inspiradas, tudo o torna um dos grandes representantes do rock progressivo moderno.  

Testimony é um típico disco de rock progressivo sinfônico de sonoridade muito honesta e bem tradicional. Possui uma musicalidade forte, excelentes arranjos orquestrais com acréscimos de violino e trompete, além de linhas de baixo pulsantes e bateria potente e precisa. Mesmo que Morse tenha inúmeros convidados no disco, ele consegue concentrar basicamente tudo envolta de si, deixando os outros músicos na sua “sombra”. É claro que não tem como deixar de falar da quantidade imensa de teclados, que vão desde órgão utilizando com mais frequência até sintetizadores oscilantes.  

Definitivamente o que o disco entregou na época foi um Neal Morse relaxado e mais diferente do que o ouvinte estava acostumado, sendo algo inclusive visivelmente óbvio, principalmente no CD2, que é onde possui músicas mais calmas com alguns arranjos simplesmente fabulosos. Além dos trabalhos sinfônicos e de piano, vale ressaltar as peças de guitarra que por meio de lindos solos soam de maneira divina. Tudo se desenrola com poucos momentos de excitação. Que fique claro que isso não quer dizer que seja algo ruim, muito pelo contrário, quero relatar apenas o quão equilibrado é esse disco.  

Não vou mencionar todas as faixas do disco, mas há algumas que merecem destaque, “The Land of Beginning Again”, todas as “Overture”, “California Nights”, “Colder in the Sun”, “The Prince of the Power of the Air”, “Wasted Life”, “Sing It High”, “I Am Willing” e “The Storm Before the Calm”, sendo essa última, especialmente brilhante, soando como uma espécie de anti-abertura, já que mesmo sendo uma música do meio do álbum, pega vários pedaços musicais encontrado no disco. O solo de trompete é dramático e o ponto alto da peça.  

No fim das contas, nem toda faixa é deslumbrante se for vista de maneira solta, mas quando considerada como um todo, bom, nesse caso a magnitude e o escopo de mais de duas horas de música, arranjo e produção da mais alta qualidade, acaba sendo algo que realmente impressiona. Um disco de uma composição muito inspirada e emocional que foi muito bem capturada de forma bastante adequada e habilidosa.

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