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Resenha: Lost & Found (2019)

Álbum de 35 Tapes

Acessos: 52


Boa mistura do progressivo 70’s com uma magia musical nova e fresca

Por: Tiago Meneses

10/07/2021

Quando levado ao pé da letra, o nome dessa banda pode soar sem muito sentido, mas isso só acontece até que você descubra que o número de fitas encontradas dentro de um mellotron são exatamente trinta e cinco. Por usarem esse instrumento com bastante ênfase, o nome passa a ser mais coerente. Esse trio norueguês não faz o tipo de rock progressivo virtuoso, sendo assim, buscam flertar muito mais com o lado melódico do gênero. As guitarras muitas vezes lembram Andy Latimer em seus momentos elétricos e Anthony Phillips quando soam em um clima mais pastoral. Obviamente que a banda também oferece uma verdadeira rajada de teclas analógicas com inúmeros sintetizadores, além, claro, do já mencionado mellotron. A bateria é muito bem conduzida e em momento algum tenta ser o centro das atenções.  

“Travel” já começa com um belo solo de guitarra em que é possível perceber uma influência em Nick Barrett. A breve introdução de guitarra desaparece suavemente enquanto a peça vai entrando em uma beleza sedutora no estilo Camel, onde o vocal emotivo começa a se espalhar. A evolução da música faz com que o ouvinte perceba vibrações do Genesis – era A Trick of the Tail. Conforme vai sendo pavimentada, continua a apresentar uma combinação perfeita de Genesis e Camel. Vale destacar também que tanto os vocais quanto as harmonias são incríveis. Um começo de disco não menos do que fabuloso.  

“Circles” é uma outra faixa muito boa, desenvolvendo o mesmo tipo de abordagem que a anterior, porém, também contendo uma espécie de mistura inusitada entre George Harrison e Camel. Essa abordagem funciona bem, permitindo que haja algumas mudanças no contraste suave contido na música. A peça segue progredindo em um ritmo lento, muito bom para que haja um desempenho deslizante de guitarra. Uma interação muito bem construída de todos os instrumentos e vocais, fornecendo assim boa integridade ao som.  

“Wasteland” certamente é o tipo de música que pode atrair o ouvinte por meio de suas escolhas de notas de sonoridades otimistas. Um bom ponto de referência que podemos usar aqui é o Yes, mas não pode para por aí, contendo também acenos ao Spock’s Beard. Mais uma peça de trabalho instrumental sinuoso que são complementados por vocais sensíveis e de extremo bom gosto. É possível notar também alguns trechos de jazz e efeitos sonoros singulares.  

“Mushrooms” é a faixa que finaliza o disco, um épico de mais de dezenove minutos onde muita emoção acontece durante todo o seu decorrer. Impossível identificar todos os nomes, mas as entre tantas, as influências aqui estão em Beatles, IQ, Pink Floyd, Genesis e Marillion. Os trabalhos de guitarra são excelentes, assim como os de violões. O mellotron mostra-se sempre poderoso e imponente. Algo que consegue dar para a música um senso extra de diversidade é o fato de possuir dois membros que cantam, pois com isso, eles acabam ajudando a mantê-la interessante a longo prazo. Todas as harmonias – vocais ou instrumentais - são brilhantes e percorrem por quase vinte minutos a peça com todas as suas “mutações”, desvios e curvas na dosagem certa à medida que avança. Uma forma de fechar o disco com chave de ouro.  

Tanto a 35 Tapes quanto o seu disco Lost & Found, são nomes quase desconhecidos até mesmo em comunidades progressivas mais bem antenadas com o universo contemporâneo do gênero, porém, eu aconselharia ir atrás desse álbum e se deparar com um trabalho extremamente subestimado que merecia um lugar maior ao sol. A banda conseguiu aqui capturar muito bem o espirito de algumas bandas mais influentes dos anos setenta e misturar com toda a sua magia musical nova e fresca.

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