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Resenha: Don't Come Easy (1991)

Álbum de Tyketto

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Estreia majestosa no apagar das luzes

Por: Diogo Franco

09/07/2021

Sabe aquele parente distante, porém especial, que é convidado para uma festa e chega bem no fim? Aquele que você espera até os útlimos instantes para que participe do momento de cantar o parabéns? Pois é, no hard rock o Tyketto é justamente o parente que chegou atrasado na festa, pois se tivesse surgido 2 anos antes esse disco não passaria despercebido em um mundo onde o grunge ainda nem sonhava em ditar as regras com seus casacos de flanela e higiene duvidosa.

Lançado em 91, o álbum abre com um dos maiores hinos do hard oitentista (apesar de ser do início da década seguinte): Forever Young. Disparada a melhor canção do disco, começa com um riff avassalador, pra em seguida cair o andamento, tornando-se um quase aor, novamente subindo sua potência num pré-refrão e refrão extasiante e quase orgásmico. Essa canção é realmente uma bela síntese do que é o verdadeiro espírito do hard rock oitentista. Pra não ficar só nela, destacamos a magnífica Walk On Fire, onde Brooke st James ataca sua guitarra com fúria e melodia, atigindo notas certeiras tanto nos riffs quanto nos solos. Strip me Down é tudo aquilo que o Extreme quis fazer mas não conseguiu, suingue e peso de maneira equilibrada, sem soar como um Queen com tuberculose. Nothing But Love também se destaca, com seu refrão característico e marcante, e aqueles coros cheios de "ôôô" perfeitos pra gente ficar sem voz cantando junto nas apresentações ao vivo. Sail Away é uma canção bonitinha, destoando um pouco da veia mais hard na introdução, lembrando o Mr Big em seguida. Burning Down Inside é pra fazer os fãs do Journey e Whitesnake chorarem de emoção com seu maravilhoso refrão. Como todo bom álbum de hard rock, os refrãos são ponto alto do disco, juntamente com os solos e riffs, tudo isso temperado por uma cozinha rítmica extremamente precisa e coesa formada pelo baixista Jimi Kennedy e o baterista Michael Clayton Arbeeny. Wings é o segundo petardo do disco, com um refrão que o Danger Danger adoraria ter escrito. O Tyketto é talvez o maior caso de injustiça no meio musical, pois o que Danny Vaughn canta é um absurdo, como na balada de praxe Standing Alone, mostrando que as composições da banda representam fielmente o que há de melhor no chamado hair metal.

Deixemos de papo: caso ainda não conheça, pegue esse disco e ouça com atenção. Se já conhecer, ouça pra matar a suadade e mostrar pra posteridade como se fazia rock n' roll divertido e bem tocado nas décadas passadas. Esse disco é perfeito pra mostrar pro seu amigo acha que hard rock se resume a Guns n' Roses, Bon Jovi e Skid Row. Faça um favor a si mesmo e vá atrás dessa jóia, duvido que, ao terminar, você não estará com um sorriso de satisfação no rosto.

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