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Resenha: O Rock Errou (1986)

Álbum de Lobão

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Definindo o seu som

Por: Fábio Arthur

09/07/2021

Dentre o movimento no cenário brasileiro da década de oitenta, aquela vertente Rock, Pop e New Wave que pairava por aqui em estações de rádio, e por sobre os canais das televisões, eis que, de fato, houve discos marcantes e importantes, e "O Rock Errou", de Lobão, figura entre esses; e como. 

Praguejando contra uma suposta "pós-ditadura", a arte de capa de cunho provocativo aos padrões de época e religiosos, o artista moveu uma situação toda, agarrou-se no protesto de peito aberto e soltou dignas obras, como seria o caso do repertório aqui. O trabalho data de 1986, com o Rock flertando com outros elementos e até mesmo a participação de Elza Soares, sendo esse o segundo disco do cantor. 

Com a produção em conjunto com Leninha Brandão e Gutti, o artista deu a cara a tapa dentro do Funk em alguns momentos, com fraseados fortes, mas com aquela linha americanizada e ainda por cima fundiu tudo com Rock de alto nível; seguindo os padrões de época. 

Os momentos se alternam dentro do set do álbum, e que mostram como um amadurecimento imenso do cantor/compositor que compete nesse disco, como voz e guitarra também. Com dois compactos e/ou singles nas divulgações, Lobão tece o fino de sua essência, enriquece os ouvidos dos amantes de música e enaltece todo o complemento se desperdiçar nada; uma obra intacta.

Com uma introdução bem inusitada, "O Rock Errou" soa como uma faceta digna e certeira, não somente na letra como na sua fonte musical em si. "Spray Jet" conecta com um impacto grande em sua estrutura completa e "Revanche" é um marco do clássico Lobão do período certeiro do artista. Que letra e que melodia tem essa faixa até o seu refrão, emocional e inflamado. "Canos Silenciosos" mostra toda a forma de compor na estrutura Rock, com ascensão na linha melódica e o tema textual forte, com sentidos aguçados, além de sua veia rítmica elementar de bateria.

Uma peça chave na face do Rock Brasil, sem soar pretencioso e sim alinhado com o momento. Disco que envelheceu bem e serve com referência direta, até mesmo por ser um dos maiores momentos da música brasileira.

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