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Resenha: Fugazi (1984)

Álbum de Marillion

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Um clássico do neo-progressivo dos anos 80

Por: Márcio Chagas

01/07/2021

No final de 1983 o Marillion se sentia pressionado pela EMI a gravar um novo álbum, mas o grupo passava por sérios problemas internos devido a demissão do baterista Mick Pointer. O grupo chegou a recrutar o americano Jonathan Mover (GTR, Joe Satriani), mas durante o inicio das gravações o baterista se desentendeu com Fish e foi mandado embora.

A escolha então recaiu sobre Ian Mosley (com passagem pelas banda de Steve Hackett, Gordon Giltrap). A banda, junto com seu novo membro e o produtor Nick Tauber entraram no Rockefield studios no país de Gales para compor algumas canções. Durante as gravações, o grupo utilizaria vários outros locais para finalizar o novo disco.

“Fugazi” apresenta o rock progressivo praticado pela banda no primeiro disco, mas diluído em outras influências pessoais de cada integrante. O rock progressivo é a base da música, mas sem tanta sombra do Genesis, como acontecia em “Script...”, seu disco de estreia. É notório que a banda buscava uma identidade própria sem abandonar por completo suas referências sonoras.

Prova disso era a canção de abertura “Assasing”, que abre o álbum com uma sonoridade oriental em sua introdução. Segundo o guitarrista Steve Rothery, Peter Hammil (líder do Vander de Graaf generator) deu ao vocalista Fish uma fita com vários sons islâmicos, que o vocalista tocou a exaustão. A ideia da introdução partiu dali. Além de pesada e bem construída, a letra é uma das mais sarcásticas já criadas pelo grupo. O antigo baterista deixou a banda se vitimizando e acusando o vocalista de ter tramado contra ele. Fish se coloca como assassino na canção exatamente para brincar com o ocorrido;

Em “Punch & Jud”, a banda usa o teatro de fantoches para falar sobre relacionamentos a dois. Além da genial criação da letra, vale mencionar os teclados criados por Mark Kelly que apresentam o clima perfeito para o encaixe das harmonias e letra;

“Jigsaw” também fala sobre relacionamentos, utilizando o quebra cabeça como analogia. Mas seu instrumental é mais denso e sua letra bem mais passional. O destaque aqui fica por conta do belíssimo solo de guitarra de Steve Rothery;

“She Camaleon” é sombria, climática e tem o órgão como base para os vocais introspectivos de Fish. É uma canção cadenciada, com uma interpretação quase teatral, onde a banda volta a exteriorizar toda influência do Genesis;

O disco segue com “Incubus”, onde o vocalista canta como se fosse o demônio da mitologia grega do titulo. O instrumental é coeso, meio arrastado, com certo tom ameaçador e algumas mudanças de andamento que incluem belos dedilhados da guitarra de Rothery sobre os vocais. O solo passional de guitarra no final da canção os vocais femininos de Linda Pike são a cereja do bolo nesta faixa;

A faixa titulo encerra o disco de maneira grandiosa. Aqui o grupo traz a tona outra grande influência: Pink Floyd. Principalmente na criação da atmosfera que envolve todo o tema. A letra retrata problemas sociais advindos da segunda guerra mundial e o nazismo, interpretados de maneira brilhante por Fish. Há uma grande mudança de andamento quando o vocalista se pergunta onde estão os poetas, visionários e profetas para impedir novos conflitos desnecessários em virtude de sentimentos mesquinhos.

“Fugazi” foi lançado em março de 1984 e mostrou que o grupo tinha talento para seguir com sua sonoridade progressiva, revitalizando o estilo e se tornando referência naquela década.

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