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Resenha: Helloween (2021)

Álbum de Helloween

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Ousado, pesado, avassalador e clássico indispensável!

Por: Diogo Franco

15/06/2021

Ousadia é a palavra chave para esse disco. Isso as vezes pode significar algo ruim, pois o público do metal muitas vezes se comporta de maneira metódica e ortodoxa, não reagindo bem às mudanças sonoras, e acusando a banda que não inova de ser repetitiva. Sabemos que não é nada fácil agradar um fã de metal com lançamentos, principalmente em se tratando de medalhões do estilo (vide o caso do Iron Maiden, onde metade dos fãs se comportam como torcedores dizendo amém pra tudo que eles fazem, e outros execram tudo que a banda fez pós anos 2000), mas o Helloween soube inovar sem ser caricato, mantendo suas raízes sem soar como uma cópia em branco de seu passado glorioso. Ao contar com 3 vocalistas, e em determinados momentos 3 guitarras, poderia se esperar gafes e excessos, porém o resultado aqui é nada menos que espetacular. 

A abertura já mostra de cara que se trata do bom e velho Helloween que todos amamos. Épica e visceral, Out For The Glory começa com um clima de suspense, pra depois descambar numa saraivada de riffs monstruosos e vocais que mostram o quanto é bom ter Michael Kiske de volta. Se você é daqueles tiozões "metaleiros" saudosistas, pode ir sem susto nessa primeira faixa, pois vai encontrar elementos de Walls of Jericho, mais precisamente nos solos. Fear Of The Fallen começa com um dedilhado onde Andi Deris mostra toda suamusicalidade com umvocal simplesmente arrebatador  já nos segundos iniciais, pra em seguida sermos atordoados por mais um riff absurdo de tão inspirado. O refrão é um show à parte, basta ouvir uma vez e já sair cantarolando. Kiske e Deris dividem o vocal dessa canção, sem nenhuma espécie de competição, jogando apenas pro time. Novamente atingindo o coração dos saudosistas, Best Time, que lembra muito o clima do clássico I Want Out. O disco alterna entre saudosismo e modernidade, com muita energia e personalidade, sem soar pretensioso ou descartável em nenhum momento. Mass Pollution por exemplo contém aqueles famosos "duelos" ou " conversas" guitarrísticas, típicas dos abóboras. Sem dar trégua aos nossos ouvidos, Sascha Gerstner, o guitarrista de visual emo do Helloween, nos presenteia com Angels, uma canção enérgica, pesada e com uma cadência absurdamente irresistível, que em alguns momentos lembra a carreira solo de Bruce Dickinson no disco Chemical Wedding, porém com muito mais testosterona. O baixo dessa canção é extremamente pesado, com uma distorção excepcional. O disco segue com o padrão de qualidade dos alemães, com Rise Without Chains, Indestructible ( com uma bateria incrivelmente pesada), Robot King e seus vocais á la Keepers e um riff inicial que lembra o solo de Over The Mountain de Ozzy Osbourne, Cyanide, que apesar do título em nada lembra aquela porcaria lançada pelo Metallica há alguns anos.

A verdade é que o Helloween uniu o clássico ao moderno, soando na medida certa, sem exagero, sem abrir mão do seu conhecido virtuosismo, em canções inspiradíssimas, provando que se depender deles o metal não morre nunca. Esse disco é um tapa na cara de quem diz que o rock está morto e que as bandas antigas não fazem mais bons discos, pois esse aqui entra fácil na galeria de clássicos da banda. Macacos me mordam se esse não for o melhor disco de 2021!

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