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Resenha: Odyssées (1999)

Álbum de XII Alfonso

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Boa mescla de música sinfônica, folk e new age, porém em um disco longo demais

Por: Tiago Meneses

10/06/2021

Esse foi um daqueles casos em que li algo sobre o disco antes de eu me aventurar na sua música, e com isso, acabei criando na minha cabeça o que estava por vir, porém, dentro do estilo apresentado, considerei o álbum meio limitado. A música encontrada em Odyssées é de uma atmosfera onírica e hipnótica, com uma boa instrumentação que mistura o acústico e o elétrico. O disco também conta com uma grande quantidade de convidados. Em termos de variação, não consegue possuir tantas como poderia ter, e por ser um trabalho de cerca de setenta minutos, acaba cansando em alguns momentos, porém, não tem como negar que também apresenta boas surpresas durante o seu desenvolvimento, como a peça vocal “Invisible Links (Part 2) que carrega uma vibe bastante otimista. Outro belo momento do disco certamente é elegante, “Tout Passe”, que possui uma melodia belíssima tocada ao violão, acompanhada por uma variedade de instrumentos ao longo do seu caminho. Músicas como “Message 95”, “Eclipse” e “Où Vont les Amants?” também podem ser considerados outros momentos de destaque do álbum.  

Como eu falei, a proposta musical é de uma sonoridade sonhadora e etérea com fortes referências sinfônicas, folclóricas e de New Age. As influências principais estão na música de Mike Oldfield e Camel. Odyssées é basicamente caracterizada por suas paisagens sonoras descontraídas, muito sensíveis e imaginativas criadas pelos irmãos Claerhout, com a música sendo baseada em suaves linhas de piano, explorações de sintetizadores e delicados temas acústicos. O disco também entrega ao ouvinte muitas percussões étnicas. Vale ressaltar algumas partes elétricas excelentes e ultramelódicas em momentos específicos, dando a banda um som refinado agradável com um pouco de abordagem ao melhor estilo Camel.  

Talvez o maior problema desse disco esteja na falta de algumas partes mais enérgicas e que seriam um excelente contraponto com seus momentos suave – algo que inclusive acaba fazendo sua duração ser mais longa do que deveria. Nesse caso em específico, algumas partes parecem deixar um gancho para algo mais pomposo, porém, que nunca chega. Às vezes fica difícil de avaliar o álbum sem saber o que de fato passava na cabeça dos irmãos Claerhout, mas se a ideia era a de uma criação de peças minimalistas, eles chegaram em um resultado excelente, mas devido muitas faixas deixarem uma espécie de gancho que nunca é agarrado, creio que a maioria do disco poderia ter sido melhor do que foi. No fim das contas, recomendado especialmente se texturas acústicas e humores atmosféricos estiverem entre suas preferências.

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