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Resenha: Carne Crua (1994)

Álbum de Barão Vermelho

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Cru e intenso

Por: Fábio Arthur

09/06/2021

O Barão Vermelho sempre foi na linha mais Rock and Roll e, em alguns momentos, até meio Hard. O fato é que, mesmo com a saída de Cazuza, o grupo elevou para frente o seu estilo, por vezes lançando algo bom, outras nem tanto, e em certos momentos como aqui em 1994, com "Carne Crua". O grupo, elevou seu estado para o miolo mais pesado da linhagem sonora e abriu novamente esse caminho do Rock e do peso.

As raízes mais fortes vieram no momento em que o Grunge ainda fazia barulho e o mundo respirava o estilo. Esse álbum mantém a dignidade e não soa forçado, e assim, ao que concerne essa obra, ele agrada e muito. 

A abertura, já ensandecida com a canção título, "Carne Crua", soa muito bem com guitarras cortantes, uma produção bem regrada e uma letra interessante, contrastando com arte do trabalho. Em "Meus Bons Amigos", a coisa toda evoluí com um som balanceado um textual perfeito, bem cabível com o estilo do grupo e tem refrão, e estrutura bem fortalecida. O álbum, então segue com "Daqui Por Diante" e "Sem Dó", que alimentam essa fonte misturada de rítmos e letras, também de cunho elaborados. 

Após um bate papo com Kika Seixas - ex mulher de Raul -, uma canção surgiu: "Pergunte ao Tio José", e Frejat elaborou com mais parceiros e definiu as estruturas, muito interessantes, por sinal. "Guarda essa Canção" mostra a fonte lírica na voz embargada de Frejat e também uma menção forte na melodia e riffs. Vagando na fonte de "Seremos Macacos Outra Vez", ouvimos o tema do filme de 1968 (2001: Uma Odisseia no Espaço) em algumas passagens e o que traz uma junção no aspecto da letra.

Um disco que não cai em momento algum, corre pelo final sem soar um fator mero de canções inseridas. Prova disso, lá do meio para o fechamento, temos a faixa "Nao me Fuja Pelas Mãos", com parceria de Luiz Melodia na letra e "Vida Frágil" de autoria de Dulce Quental e Frejat. "Rock do Vapor" e "O Inferno é Aqui" conseguem deixar o gosto de quero mais.

"Carne Crua" chega como um dos mais aclamados discos do grupo, lembrando até mesmo a fase do álbum "Carnaval". Soa com essência firme e oportuna, com sopros e arranjos mais amplos, mas que remetem ao passado no quesito peso.

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