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Resenha: Born Again (1983)

Álbum de Black Sabbath

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Gillan e Iommy apresentam o Deep Sabbath

Por: Márcio Chagas

04/06/2021

No inicio dos anos 80, com a debandada de Dio e Vinny Appice, a banda se resumia ao guitarrista Iommy e o baixista Geezer. O empresário Don Arden, queria se vingar de sua filha Sharon, que havia lhe tirado Ozzy e resolveu elevar o Black Sabbath a maior banda de rock do planeta. 

Seu primeiro passo foi trazer Bill Ward de volta. O baterista havia superado seus problemas com a bebida e estava sem dinheiro, então foi fácil convencê-lo. Quem estava em uma situação financeira ainda mais delicada era Ian Gillan, o ex-vocalista do Deep Purple estava completamente falido, e viu no convite de Arden a chance de se reerguer, mesmo sabendo que o som do grupo nada tinha a ver com seu estilo. 

Então após uma noite de bebedeira com Iommy e Geezer o músico estava dentro do Sabbath,  que começou a gravar em maio de 1983 no estúdio Richard Branson 's Manor , no interior de Oxfordshire, com o produtor Robin Black.

Sendo um prolífico compositor, Gillan causou estranheza a Iommy com seu dinamismo, pois no grupo as composições fluíam mais devagar. " Gillan trouxe um imediatismo à composição que era incomum para o Sabbath ", teria dito o guitarrista posteriormente. Suas letras também eram muito diferentes das temáticas adotadas por Geezer e mesmo por Dio, deixando de lado o fantástico e macabro, optando por escrever sobre suas experiências do dia a dia.

O disco tem grandes momentos, como “Thrashed” que abre o álbum com um riff pungente de Iommy e letra de Gillan sobre um acidente automobilístico; e “Disturbing the Priest”, com andamento mais cadenciado e letra interessante sobre os ensaios da banda perturbarem os padres da igreja local. O trabalho de Ward nos tambores merece destaque;

Vale mencionar ainda a longa e sombria “Zero the Hero” e a faixa título, a minha favorita, uma balada soturna onde Gillan mostra a que veio e arrebenta nos vocais. O timbre de baixo distorcido de Geezer também impressiona;

O álbum foi lançado em janeiro de agosto de 1983 e aí que tudo começou a dar errado: A mixagem saiu abafada e excessivamente grave, soterrando todos os arranjos. A capa criada por Steve Joule foi considerada uma das mais feias de todos os tempos e pra piorar, Bill Ward tinha voltado a beber durante o final das gravações tendo que retornar ao seu tratamento e ficando impossibilitado de sair em turnê. Então o músicos restantes tiveram a “brilhante” ideia de chamar Bev Bevan, baterista da Eletric Light Orchestra, ou seja, um baterista completamente fora do metal;

Embora tenha vendido bem inicialmente, chegando ao 4º lugar no Reino unido e 39º nos EUA, o álbum decaiu em vendas vertiginosamente após cessar a curiosidade de como soaria o Deep Sabbath ou Black Purple, como muitos chamavam.  

Claro que a formação não seguiu em frente, com Gillan retornando ao Deep Purple que voltava com sua formação clássica e Iommy se viu mais uma vez sozinho para conduzir o Black Sabbath, uma vez que Geezer também havia pedido as contas.

Embora seja considerado um item obscuro na discografia do grupo, o álbum possui grandes fãs, principalmente no Brasil onde foi lançado.

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