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Resenha: Their Satanic Majesties Request (1967)

Álbum de The Rolling Stones

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Os Stones apresentam seu álbum mais lisérgico e experimental

Por: Márcio Chagas

04/06/2021

Quem acompanha os Stones sabe que o grupo sempre teve uma trajetória tumultuada, principalmente nas duas primeiras décadas. Mas em 1967 a situação beirava o caos, com vários membros respondendo processos no tribunal por posse de drogas com a eminência de prisão. Tal fato deixou o grupo ainda mais atribulado.

E pra piorar, ao entrarem no estúdio, o quinteto resolveu produzir o próprio trabalho. Não tendo um produtor para orientar e pôr ordem, as gravações aconteciam em total falta de controle. Os Membros raramente apareciam juntos e quando resolviam dar as caras, o faziam cercado de amigos, mulheres, muita bebida e demais aditivos.

Era de surpreender que dali saísse alguma coisa, mas as gravações iam acontecendo paulatinamente, com o grupo abandonando suas raízes no blues e no rock e investindo em uma sonoridade totalmente psicodélica e experimental, utilizando instrumentos exóticos nunca antes usados, como o mellotron, theremin, tabla e até arranjos de cordas, comandado por ninguém menos que o futuro Zeppelin John Paul Jones.

Então, não espere aqui aqueles rocks básicos, malandros, cheios de feeling e encharcados de blues que sempre norteou o som do grupo. O álbum está mais próximo de grupos progressivos ácidos e psicodélicos dos anos 60, como o Pink Floyd de Syd Barret, Capitain Beefheart e “Revolver” dos Beatles.

Apesar da sonoridade diferente, o disco traz bons momentos, como “In Another Land” primeira e única canção a contar com os vocais do baixista Bill Wyman; “She´s a Rainbow”, com o citado quarteto de cordas; e a lisérgica “2000 light years from home”, que mostram a banda se dando muito bem em caminhos sonoros diversos.

O álbum foi lançado em dezembro de 1967, e embora tenha chegado a segunda e terceira colocação respectivamente nos EUA e Reino Unido, as vendas declinaram rapidamente. Muitos fãs não entenderam aquela sonoridade, e preferiam o blues rock de outrora, outros viram no álbum uma pífia tentativa se superar o “Sgt. Peppers...” dos Beatles lançados meses antes, fato que levou o grupo a retornar ao seu velho estilo no álbum seguinte.

Apesar de tudo, o álbum passou a ser compreendido nas décadas seguintes, mesmo com a indiferença de Jagger e Richards em relação a ele, muitos músicos regravaram suas canções como os brasileiros do Violeta de Outono.

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