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Resenha: Evership II (2018)

Álbum de Evership

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Um longo passo adiante

Por: André Luiz Paiz

02/06/2021

Ciente de que o Evership acabara de lançar o seu terceiro disco de estúdio, cá estou eu tirando o atraso e conferindo o segundo registro. E que ótima decisão eu tive.

Evership é uma banda americana de rock progressivo sediada em Nashville, Tennessee, e foi criada pelo compositor e multi-instrumentista Shane Atkinson. Com muito material criado ao longo dos anos, a banda conseguiu enfim lançar o seu interessante e impressionante trabalho de estreia em 2016. Recebei merecida atenção, tanto que garantiu até uma apresentação no conceituado Rite Of Spring 2017 (RoSFest), festival de rock progressivo de Gettysburg, Pensilvânia. Com o sinal de que as coisas começariam a dar certo, a banda logo direcionou o foco para o seu segundo disco. E assim, com pouco menos de um ano depois, saiu: "Evership II".

É fato que o progressivo está em alta. Como sempre, as bandas que mais se destacam são aqueles que beberam da fonte setentista de Kansas, Genesis, King Crimson, Camel, Pink Floyd, etc. Usando isso com um pouco também de Styx, Boston e Queen, o Evership definiu a sua sonoridade sem copiar e sem reinventar, o que traz um brilho ainda maior. "Evership II" com cinco belas canções, sendo quatro delas com duração de 7 a 11 minutos, além de uma épica com mais de 28. Beau brilha com um vocal versátil, interessante e expressivo. Os teclados trazem o clima perfeito para o estilo e as faixas permitem aquele mergulho do ouvinte no universo progressivo e muitas vezes inesperado.

"The Serious Room" impressiona pela ousadia. Indo ao oposto da abertura do primeiro trabalho, esta mais melódica, aqui temos algo mais sombrio e de certa forma temperamental. Um fator interessante é que ela foi registrada no já citado festival RoSFest. "Monomyth" traz os teclados na dianteira e muitas referências do disco de estreia, com várias alternâncias de clima. "Real Or Imagined" é uma viagem deliciosa, com introdução doce e melódica, cresce para uma passagem bem prog e depois finaliza com grandes melodias. A quarta faixa é "Wanderer", também melódica e recheada de linhas de teclados que fixam na mente, trazendo um andamento mais lento. Por fim, encerramos com a maravilhosa "Isle Of The Broken Tree", ponto alto do disco. Não é qualquer banda que consegue segurar o ouvinte durante a audição de uma faixa tão longa. São passagens lindíssimas dentro de diversos estilos musicais, em uma união de temas interessantes e cativantes. O ouvinte vai aos poucos se entregando e mergulhando na proposta musical entregue pela banda com muito êxito. A parte lírica traz uma continuação para "Ultima Thule", do álbum anterior.

Considerando que fui pego de surpresa pela ousadia da banda, consigo dizer com segurança que "Evership II" é um disco que cresce cada vez que ouço. A banda simplesmente optou sabiamente por não repetir a estreia, conseguindo dar um longo passo adiante, e trouxe um novo set de novas canções com a mesma qualidade do disco anterior, que já aproveito para deixar também como recomendação.

Tracklist:
1. The Serious Room (live *) (7:52)
2. Monomyth (10:44)
3. Real or Imagined (8:17)
4. Wanderer (7:39)
5. Isle of the Broken Tree (28:27) :
- i. Castaway
- ii. Meadow of Shades
- iii. My Father's Friend
- iv. Hall of Visions
- v. My Own Worst Enemy
- vi. The Tree and the Door

Banda:
Beau West (vocal principal)
James Atkinson (guitarras solo)
John Rose (guitarras solo, base, slide)
Shane Atkinson (voz, teclado, bateria e percussão)
Ben Young (baixo)

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