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Resenha: Fight For The Rock (1986)

Álbum de Savatage

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Por: André Luiz Paiz

01/06/2021

Cedendo diante das pressões da gravadora Atlantic, o Savatage se viu perdido durante a produção e lançamento de "Fight For The Rock", o que acabou resultando no único disco problemático da carreira do grupo.

Temos aqui o primeiro disco a contar com o baixista Johnny Lee Middleton, o que acabaria se convertendo em uma parceria de longa data com o grupo. Como os irmãos Oliva estavam crescendo como compositores e criando material mais acessível para outros artistas, como por exemplo o vocalista John Waite, a gravadora "sugeriu" que material similar fosse gravado pela própria banda, resultando em desânimo e até problemas pessoais, principalmente para Jon, que se afundou no álcool e drogas.

Com uma capa até interessante, inspirada na icônica foto Raising the Flag on Iwo Jima, e nomeado "Fight for the Nightmare" por Jon Oliva, "Fight For The Rock" dissolveu todo o peso e energia de outrora. Se "Sirens", "The Dungeons Are Calling" e "Power Of The Night" são pesados e extremamente competentes em termos de composição e execução, este disco peca em todos os sentidos, com canções leves, sem emoção e com poucos lampejos de brilhantismo. Em alguns momentos, nota-se Jon Oliva tentando imprimir algumas de suas linhas vocais mais agressivas, mas totalmente dentro de um perímetro estabelecido por seus superiores. Isso sem falar na produção, muito fraca. É uma pena.

"Fight for the Rock" tem uma bela melodia e soa como um bom hard. A regravação de "Out on the Streets" é completamente desnecessária. Se em "Sirens" ela trouxe contrapeso, aqui só complica as coisas. "Crying for Love" e "Day After Day", esta última cover do Badfinger, são completamente descartáveis. Sem qualquer potência, sendo que apertar o next no player é a ação mais provável. "The Edge of Midnight" é um alívio, pois as guitarras de Criss voltam a aparecer com belos riffs e um vocal mais agressivo de Jon, apesar da produção não ajudar. "Hyde" vai para o mesmo caminho, agora com clima mais sombrio, lembrando bem o primeiro álbum e EP. Dá pra ver por estas duas faixas qual o caminho a banda teria seguido caso decidisse por si só. "Lady in Disguise" não tem nada de atrativo, é arrastada e sem emoção alguma. As coisas melhoram com a ótima "She's Only Rock 'n Roll" e na bela versão de "Wishing Well", clássico do Free. Não combina com o estilo anterior da banda, mas música boa é música boa. Por fim, o disco é finalizado com "Red Light Paradise", sem muito destaque, mas com bons vocais de Jon e solos de guitarra.

Dizem que há males que vêm para o bem. Penso assim de "Fight For The Rock", pois acabou servindo de parâmetro para que a banda nunca mais perdesse o seu direcionamento. O grupo rapidamente viu onde errou, tanto que nem se dispuseram a tocar a maioria das canções deste trabalho em turnê. Com a página virada, não só cresceram como iniciaram, já no próximo disco, uma sequência de trabalhos espetaculares. E tudo começou com o início da parceria com o saudoso produtor Paul O'Neill.

Banda:
Jon Oliva – lead vocals, piano
Criss Oliva – guitars, backing vocals
Johnny Lee Middleton – bass guitar, backing vocals
Steve "Doc" Wacholz – drums, percussion

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