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Resenha: Pandemia (2021)

Álbum de Dorsal Atlântica

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Um dos melhores e mais politizados discos da banda

Por: Mário Pescada

31/05/2021

"Em Brazilândia, a sociedade é dividida entre 3 etnias: os equinos que governam, o povo canino e os símios militares. Um jumento é eleito como Primeiro Ministro através de um golpe dado com o judiciário e os generais gorilas. O novo governo infecta a população com o vírus da burrice, a pandemia da ignorância. Seus fanáticos seguidores empilham livros em fogueiras, clamam que a terra é plana e lotam os templos porque creem que o Deus Sumé as salvará do vírus, enquanto esses mesmos fanáticos destroem terreiros de Candomblé e incendeiam laboratórios, faculdades e livrarias".

O trecho acima é o enredo de "Pandemia" (2021), disco mais recente da DORSAL ATLÂNTICA. Caso o leitor/a por algum motivo tenha se sentido incomodado com ele, ignore o disco e interrompa a leitura da resenha. Mas, se por qualquer motivo essa descrição te tocou, sugiro que prossiga.

"Pandemia" (2021) é protesto, rebeldia, contestação, esperança, anti-mediocridade, luta, deboche, denúncia, resistência. Um mix musicado de sentimentos que devia estar entalado na garganta de Carlos Lopes (e de muitos outros). Um disco forte, provocador.

Goste-se ou não do posicionamento da banda, essa tem sido a postura da DORSAL ATLÂNTICA por quase 40 anos. Mesmo nunca tendo escondido suas preferências políticas, surpreendeu a quantidade de gente que condenou a banda por isso, chamando-a de "esquerda", "lulista", "mortadela" e afins. Bastava ter feito uma rápida pesquisa na sua história.

Para não adentrar mais no aspecto político-social do disco, é óbvio (ululante, diria o saudoso Nelson) do que e de quem se trata o disco. Concorde ou não com a obra, o que temos passado desde 2017 é no mínimo preocupante: um país resumido entre "direita x esquerda", "nós x eles", "liberais x comunistas", "coxinha x mortadela" e daí para baixo. Só lembrando que as eleições de 2022 se aproximam aos poucos e o cenário não aparenta ser dos melhores, pelo contrário...

O disco é pesado, não só liricamente falando. É metal com riffs afiados, solos e metrancas que se fundem com trechos do repente nordestino, do candomblé e da capoeira.

Gostei muito do disco como um todo, seus quase intensos 60 minutos passam rápido. Meus destaque vão para: "Pandemia", que resume o disco; "Pobre de Direita", com seu arrepiante timbre de guitarra guiado por uma intensa bateria a la "Overkill" no início; "Combaterei", que termina com trecho em voz e violão de "A Internacional"; "Infectados (Teocracia e Narco-Estado)", relato da explosiva mistura de fanatismo religioso com crime organizado (algo aparentemente surreal, mas aqui é Brasil, lembra?); "Povo (Inocente ou Culpado?)" e "Terra Arrasada (Treva Que Nunca Acaba)", com seu ritmo eletrizante. Quem ficou de fora desse projeto vale a pena fazer buscas pelas lojas ou tentar através do e-mail dorsal@dorsalatlantica.com.br adquirir uma cópia. Um dos melhores discos da DORSAL ATLÂNTICA - concorde ou não com seu ponto de vista. Formação: Carlos Lopes: vocais, violões e guitarras Cláudio Lopes: baixo Braulio Drumond: bateria Faixas: 01 Pandemia solo do começo 02 Burro (É Só Cair de Quatro Prá fazer Him-Hom) 03 Cães 04 Pobre de Direita 05 Combaterei 06 Gorilas (Nó Passarán) 07 Infectados (Teocracia e Narco-Estado) 08 Povo (Inocente ou Culpado?) 09 Resistência (Não Resiste) 10 Terra Arrasada (Treva Que Nunca Acaba) 11 Número 28

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