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Resenha: Fullgás (1984)

Álbum de Marina Lima

Acessos: 75


Um dos Clássicos Nacionais dos anos 80!

Por: Débora Arruda Jacó

30/05/2021

Marina Lima já era conhecida no circuito musical desde o início dos anos 80: seu primeiro trabalho data de 1979, o álbum Simples Como Fogo. A partir daí, continuou chamando muita a atenção com trabalhos interessantes, mas foi com Fullgás (1984) que a cantora se tornou notória por todos os cantos do Brasil. Fullgás foi um grande sucesso, emplacando hits de qualidade, transitando entre o pop – rock, new wave e mesmo MPB. 

A faixa título “Fullgás” pode ser um bom exemplo de canção pop com influencias da “moderna” MPB, entremeada por teclados, à “la synthpop”.  Não é preciso dizer a importância dessa música para o cenário nacional, pois é “chover no molhado”. Clássica composição de Marina e Antônio Cicero, o irmão sempre presente na carreira da cantora. A segunda é “Pé na Tábua”, versão de “Ordinary Pain” (Stevie Wonder), essa realizada por Antônio Cícero e Sérgio de Souza. A letra ficou diferente do sentido da original de Wonder, mas os arranjos ficaram ótimos e é uma canção bem agradável de ouvir. Na verdade, gosto dessa canção, que é bem estilo FM.  “Pra Sempre e Mais Um Dia” a terceira faixa é outra parceria de Marina Lima e Antônio Cícero – tem uma instrumentalização bem legal. “Ensaios De Amor”, composição de Marina Lima em parceria com Ana Terra, é uma faixa bem balançada, que não é muito executada atualmente nas rádios, mas é bem interessante com bons riffs de guitarra. 
A quinta faixa é a bem sucedida regravação da bela música “Mesmo que Seja Eu”, de Roberto e Erasmo Carlos. Marina empresta à música um charme especial, com sua bela voz felina. Os arranjos são ótimos, tão bons quanto os da gravação original (Um dos melhores momentos de Erasmo, com certeza). Considero como uma das melhores canções da MPB de todos os tempos. A próxima é “Me Chama”, sucesso de Lobão que Marina Lima também regrava de maneira bem sucedida: os arranjos pop rock ficaram excelentes também e a cantora mais uma vez, contribui com sua voz aveludada para o êxito da canção. “Mesmo Se O Vento Levou”, é uma “balada dançante” composta em parceria com o irmão Antônio Cicero. “Cícero e Marina” é uma declamação que dura 40 segundos apenas! Um exercício poético de Antônio Cícero. 
“Veneno”, versão da original “Veleno” (Alfredo Polacci) feita por Nelson Motta é outro momento bem sucedido e particularmente, a acho melhor que a original. Foi bem executada nas rádios (ainda é) e é outro bom momento de Marina – fez parte da trilha sonora da novela Livre para Voar (1984-85, Rede Globo). A penúltima faixa é composição de Nelson Motta e Lulu Santos: “Mais uma Vez”, com bons arranjos e riffs tocados pelo próprio Lulu. O álbum fecha com a música “Nosso Estilo”, composição conjunta entre Marina, Lobão e Antônio Cicero e apresenta um estilo bem new wave, muito popular naquele tempo.

“Fullgás” é um grande trabalho: um dos melhores momentos da MPB e do Pop nacional. Marina Lima é com certeza, uma de nossas melhores cantoras. “Fullgás” é um álbum de 37 anos, mas que pode ser bem apreciado nos dias de hoje. Enfim, um álbum atemporal.

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